DEIXE SEU RECADO PARA O EDITOR

sábado, 4 de fevereiro de 2012

PERDÃO E GRAÇA



SEMINÁRIO TEOLÓGICO DA MISSÃO JUVEP



GILDELÃNIO DA SILVA



TRABALHO DE ACONSELHAMENTO I

PROFESSORA JOSIMERE ARAUJO

 

Trabalho sobre PERDÃO E GRAÇA para obtenção de nota do curso de Bacharel em Teologia.



JOÃO PESSOA – PB
2009


GRAÇA E PERDÃO

  • Análise do Texto extraído do livro “Maravilhosa Graça”, ed. Vida, PHILIP YANCEY, pág. 28/31.
  • Tomei como base esta parte do livro para desenvolver o trabalho, pois acredito ser muito abrangente e enriquecedor tanto para o aconselhamento quanto para toda área da vida cristã.

PARTE 1 – TEXTO 1.
Fui criado em uma igreja que estabelecia limites distintos entre “a dispensação da Lei” e a “dispensação da Graça”. Embora ignorássemos muitas proibições morais do Antigo Testamento, tínhamos nossos próprios mandamentos prediletos rivalizando com os dos judeus ortodoxos. Lá no alto vinham o fumo e a bebida (contudo, como estávamos no Sul, com a sua economia dependente da tabaco, algumas permissões eram feitas para o fumo). O cinema vinha logo abaixo desses vícios, com muitos membros de igreja recusando-se até a assistir a The Sound of Music [O som da música]. O rock, naquela época, na infância, era igualmente considerado como uma abominação, com toda probabilidade demoníaca em sua origem.
Outras proibições – usar maquiagem e jóias, ler o jornal dominical, assistir ou participar de esportes aos domingos, homens e mulheres nadando juntos (curiosamente intitulados de “banho misto”), comprimento das saias para as moças, comprimento dos cabelos para os rapazes – eram obedecidas ou não, dependendo do nível espiritual da pessoa. Cresci com a forte impressão de que uma pessoa se tornava espiritual obedecendo a essas regras sem significado. Considerando minha própria vida, eu não conseguia perceber muita diferença entre as dispensações da Lei e da Graça.
Minhas visitas a outras igrejas me convenceram de que essa escada para atingir a espiritualidade é quase universal. Os católicos, os menonitas, as Igrejas de Cristo, os luteranos e os batistas do sul, todos têm suas próprias agendas de usos e costumes do legalismo. Você obtém a aprovação da igreja, e presumivelmente de Deus, seguindo o padrão prescrito.

COMENTÁRIO

            Acredito que essa situação vivida neste texto é repetida no Brasil em várias denominações evangélicas. Gostaria de comentar alguns temas indispensáveis do texto: DISPENSAÇÃO DA LEI E DISPENSAÇÃO DA GRAÇA, ESPIRITUALIDADE E DOUTTRINA DOS USOS E COSTUMES, LEGALISMO E LIBERDADE CRISTÃ.


  • DISPENSAÇÃO DA LEI E DISPENSAÇÃO DA GRAÇA

A teoria dispensacionalista ver o cumprimento escatológico das profecias bíblicas por etapa e dividida em sete eras (dispensações), são elas:  inocência, consciência, governo humano,  promessa, lei, graça, do reino.  Outros entendem que a Bíblia fala de dispensação somente em duas eras, a da graça e a da lei. Portanto, não vejo problema de tratarmos somente destes dois pontes essenciais.
Chama-se dispensação da lei o período compreendido entre MOISÉS E CRISTO basicamente. Moisés dar inicio oficialmente a era da lei por recebê-las das mãos de Deus no monte Sinai e após Cristo começasse a dispensação da graça. Trocando em miúdos; na dispensação da lei os homens tem-na como referencial de santidade e caráter de Deus. Por ela poderiam ser salvos, caso a cumprisse e se não, (que era o óbvio) cabia-lhe maldição e morte. Não acredito que a lei de Moisés acabou. Ela simplesmente se funda e se cumpre na graça, pois uma não faz sentido sem a outra. ´
A lei diz: É certo que todo homem é pecador e não pode mudar isso. A graça diz: conhecendo a sua realidade pecaminosa perante Deus e reconhecendo o sacrifício único, eterno e perfeito de Cristo, o homem arrependido que crer em Cristo, é absorvido gratuitamente e perdoado incondicionalmente, sem mérito humano algum. Somente conhecendo a lei se conhece o pecado, e conhecendo o pecado se conhece a justiça e a graça por meio da fé em Cristo. ( Rom. 7: 7; I Cor. 15:56; Rom. 8: 7; I Tim. 1: 9-10 ).
                Alguns tentaram mudar a Lei de Deus, trocando mandamentos, e omitindo outros, mas a Bíblia diz que é IMUTÁVEL ( Deut. 4: 2, e 12: 32, Salm. 89: 34 ). Cristo disse que nem um til e nem jota seria tirado da Lei ( Mat. 5: 17-19, Luc. 16: 17 ). Ora se nem uma letra ou um sinal poderia ser retirado da Lei, como ousa o homem abolir um Mandamento inteiro? Muitos preferem seguir preceitos de homens do que os Mandamentos de Deus ( Mat.15: 3-9, Mar. 7: 6-13, Ezeq. 33: 31-32,   Isa. 29: 13 ). Em Rom. 10: 4 Paulo afirma que o FIM DA LEI é Cristo. Muitos pegam este versículo para dizer que a Lei findou com Cristo, mas esquecem que o Novo Testamento foi escrito em grego e a palavra FIM, vem do grego TELOS, que significa finalidade, objetivo, e não término ou abolição. Esta mesma palavra “ Telos” encontramos em I Ped. 1: 9 : ... alcançando o Fim da vossa fé, a salvação das almas. Ah! neste caso não podem afirmar que a fé acabou,  mas sim que o objetivo da fé é salvar almas. Do mesmo modo vemos em Ec. 12: 13 . “De tudo o que se tem ouvido, o Fim é :  teme a Deus e guarda os Seus mandamentos,   pois este é o dever de todo homem”. Ah! neste caso também não podemos dizer que acabou o temor a Deus, como pretexto para dizer que a Lei findou. Sem Lei não podemos ver a Santidade de Deus e nem enxergar nossas próprias culpas e necessidade de arrependimento - Tiago 1: 23-25.
“Não penseis que vim abolir a lei ou os profetas; não vim abolir, mas cumprir.  Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mt. 5.17-20).
Alguns também afirmar que a Lei de Moisés ou até o Antigo Testamento inteiro foi abolido na cruz e devemos considerar somente o que manda o Novo Testamento. Pensemos bem:  se a Lei fosse abolida, não haveria necessidade da Graça, uma vez que, ela é oferecida ao homem para justificá-lo do seu pecado, quando este expressa a fé em Jesus e O aceita como Salvador pessoal. Se o homem peca, ele fica sujeito à condenação da Lei. A única solução é a Graça de Cristo. Mas porque vivo sob a Graça eu devo transgredir ou abolir a Lei? De modo nenhum. Esta foi a resposta de Paulo em Rom. 6: 1-2. Permaneceremos no pecado para que a Graça abunde? Não! Mas se eu pecar, tenho um Advogado que é Cristo, que apaga as transgressões do pecador arrependido e confesso. ( I João 1: 8-9, 2:1, 3:22-24, 4: 20, 5: 1-3  ).
É um sincronismo lógico: se a Lei foi abolida, não há pecado, logo, todos são justos, todos se salvarão crendo ou não em Cristo. Para que servirá a Graça? Deus não pode condenar e nem destruir os que não pecaram, pois não têm nenhum pecado a confessar e não precisam de fé; não sentem a necessidade de Cristo; nunca sofrerão a morte eterna. Para que veio então, Jesus à Terra? Morreu em vão? Não é o que a Bíblia diz. É justamente porque pecamos  é que sentimos a necessidade de um Salvador para nos livrar do poder desta morte.  Ao negar a Lei, os homens destroem por completo o Evangelho da Graça de Deus em Cristo Jesus.
Acredito que os rituais para o perdão eram tipos e sombras do plano eterno salvívico em Cristo e isto não mais é necessário fazer, pois o Testamento mudou, temos uma nova aliança em Cristo, que cumpriu toda a lei para nos justifica perante ela e Deus. Não precisamos de cerimônias para sermos perdoados e nem das leis cíveis da cultura judaica para sermos bons cidadãos, é só cumprir as leis de Cristo que abrangem o AT e NT.

  • ESPIRITUALIDADE E DOUTRINA DOS USOS E COSTUMES

Que ligação há entre usos e costumes com a espiritualidade na visão evangélica de hoje e na Escritura Sagrada? Existem coisas que a igreja proíbe, mas que a Bíblia não proíbe?
Não vou me aprofundar muito.
Já ouvi muito falar em abuso de ofício e de autoridade, todavia no meio evangélico encontramos algo, além disso, é o abuso espiritual. Vejo no meio evangélico de hoje abuso da fé, abuso da paciência, abuso da boa vontade, do tempo, do dinheiro, da ingenuidade, das limitações e condições humanas do povo adébito da fé.
Sei que há obreiros que querem servir a Deus e recebem doutrinas erradas e aplicam a seus ouvintes da forma (ou pior) que receberam. Mas a casta de lobos e mercenários é muito maior que esse grupo aí. Os lobos não querem saúde espiritual das ovelhas, eles querem manipular e explorar o leite e a lã das ovelhas. É neste pretexto que pregam, distorcem a Bíblia, proíbem, ameaçam e abusam de forma absurda das ovelhas.
É Claro que se peneirarmos cada pregador que defende espiritualidade aos usos e costumes em geral encontraremos alguns com poucos equívocos que, quando bem doutrinado e orientado, mudam o discurso e melhoram a saúde das ovelhas, mas na maioria, (pentecostal principalmente), não aceitam outra forma de doutrina e até afirmam que outras igrejas que não seguem esta linha irão para o inferno. Dar tanta ênfase aos usos que poderíamos chamar esse ensino de Doutrina da aparência e não do interior. Daí a igreja (templo) torna-se fabrica de fariseus e covil de lobos, porém nunca será agência de salvação em Cristo na terra.
Quer dizer que agora liberou geral? De modo algum! Trato da liberdade e do legalismo mais na frente. Mas quantas pessoas vivem os dois extremos?! Quando não proíbem tudo, liberam tudo. Não haverá, porventura, um equilíbrio nos usos e nos costumes? Deve-se olhar como a denominação olha, o estatuto olha, ou como meu coração e a Escritura aponta? Creio que congregar numa igreja não salva. Obedecer a estatuto interno não salva. Submeter-se a pastor ou líder não salva. (Apesar de crente salvo fazer tudo isso livremente). Contudo, para identificar um crente salvo não vejo texto melhor do que o que Gálatas 5.21, que fala do fruto do Espírito. (“amor, gozo, paz, longanimidade, bondade, benignidade, fidelidade, mansidão e domínio próprio). Creio na mensagem da cruz e acredito que o cristão deve renunciar alguns costumes e usos que o mundanismo propõe para pecaminosidade (Mt. 16.24; Tg. 4.4; 1 Jo. 2. 15-16). Agora, tudo que é do mundo é mundano? Ou chamamos de mundano o que é iníquo e pecaminoso? Acho que as obras da carne é um bom indicador do que é mundanismo. (Ler Gálatas 5.16-20; 1 Jo. 2.15,16). Parece que temos que odiar tudo na terra para merecer o céu, ou estar sempre mal conosco mesmo para estar bem com Deus, ou considerar tudo carnal para ser espiritual. Lamento dizer que esta é a opinião que tem prevalecido (eu também pensei  assim e vivia muito mal algumas vezes). Meu Deus, até quando?!
  • Pensei nestes textos Bíblicos enquanto escrevia estas declarações – (Mt. 23.1-7; 13-15; 23-28)

  • LEGALISMO E LIBERDADE CRISTÃ.

Falar de legalismo e liberdade cristã não é muito simples em se tratando do contexto confuso e do sincretismo religioso no qual estamos inseridos. Faremos uma abordagem resumida mostrando simplesmente que o legalismo é o que o homem tem a oferecer em matéria de fé e a liberdade cristã é o que as Escrituras oferecem aos que creram na graça de Cristo e não apresentam a salvação por méritos humanos. Face a isto: Legalismo para que? Liberdade para que ou de que?
Temos que decidir se estamos buscando ou pregando questões humanas ou princípios divinos; se é Deus quem nos santifica ou se nós faremos isto baseado nos ensinos denominacionais; e se nosso estilo e nossa doutrina é forte e dar crescimento as igrejas ou se Deus faz crescer o seu rebanho.
Há, lamentavelmente, alguns que atrelam o crescimento de suas igrejas ao rigor nos usos e costumes. Eles saudosamente acreditam que sua denominação cresceu porque era rigorosa nesse item, e não como resultado de uma exuberante atuação do Espírito que capacitava e ungia os crentes para o mandato evangelístico. Esse grupo não só atrasa o processo de atualiza­ção cultural da denominação, como é responsável pela estag­nação numérica da igreja. Para cada 10 convertidos, quantos saem sem suportar o pesado jugo do legalismo?
Essa falta de sintonia de algumas igrejas com as mudanças sociais e culturais entristecem. Pior, suas conseqüências vêm-se revelando desastrosas para as denominações. Segundo al­gumas pesquisas, o crescimento em muitas igrejas está sendo vegetativo, ou seja, na mesma faixa dos dois por cento de cres­cimento anual da população brasileira. Os dados demonstram que há uma sangria de membros alarmante; cerca de 10 a 20% dos membros vão para outras igrejas evangélicas.
Infelizmente essa parcela legalista, responsável pelo des­compasso cultural da denominação, não pára de crescer. Espelhando-se no exemplo de outras igrejas que também se es­tagnaram, ela retarda o crescimento da denominação com um legalismo destruidor. Advoga um recrudescimento nas nor­mas da denominação e quer que esta volte aos costumes dos anos cinqüenta, quando as mulheres, segundo eles, trajavam-se com roupas mais modestas e meias grossas, e os homens usavam chapéus. Esquecem-se de que um dos pais da igreja, Cipriano de Cartago, exortava seus contemporâneos no pri­meiro século: "Uma antiga tradição pode ser simplesmente um antigo erro".
Em alguns casos, o zelo pela defesa de usos e costumes chega sim às raias do fanatismo. O Globo, em 2 de abril de 1992, e O Jornal da Bahia, em 3 de abril de 1992, relataram uma pesquisa feita pela ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência) do Rio de Janeiro. Constatou-se que 33% dos casos registrados de agressão física contra menores ocorreram em razão do "fanatismo religioso".
Não sabem discernir etica­mente sobre o que podem ou não experimentar. Por exem­plo, numa reunião de diretoria, numa determinada igreja, decidiu-se que: Ir à praia ou piscina pública, ficar seminu e tomar banho; ir à praia ou piscina pública e só assistir aos banhistas e ficar no seu traje normal vendo o pecado, é proibido segundo a Bíblia em: SI 1:1; Rm 6:12-13; 1 Co 5:8; Ap3:18; Ap 16:15. Até que ponto os textos querem dizer exatamente assim? Isto não difere de pessoa para pessoa ou de caso a caso? Ou todos têm a mesma fraqueza do  olhar e do mostrar?
Alguns legalistas usam argumentos pessoais para justificarem “suas normas internas”, tipo: Há certo tipo de pessoa que necessita de cabrestos e leis proibitivas, Abertura demais resulta em libertinagem, A salvação vem pela graça, porém a santificação depende de nós.
De acordo com esses argumentos, não se pode pregar a liberdade em Cristo; devem-se manter algumas proibições para as pessoas não partirem para o extremo da carnalidade. A vulnera­bilidade e falência desse raciocínio vem da baixa estima que se dá ao poder do evangelho. Para essas pessoas, a mensagem da graça precisa do reforço da lei. Será? Paulo afirma, repetidas vezes, que a mensagem da cruz não necessita do auxílio da lei para alcançar seus extraordinários feitos: Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, fir­mes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão. Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. (Gl 5:1-2). A lei não arbitra sobre a santidade. As proibições mostram-se inócuas na tarefa de santificar os crentes. Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido som­bra das cousas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo... Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segun­do os preceitos e doutrinas dos homens? pois que todas estas cousas, com o uso, se destroem. Tais cousas, com efeito, têm apa­rência de sabedoria, como culto de si mesmo, e falsa humildade, e rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualida­de. (Cl 2:16-17,20-23). Paulo insistiu com os crentes da Galácia para que aquelas normas e exigências do Antigo Testamento minguassem dian­te da excelência da fé: Porque nós, pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém da fé. Porque em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão, tem valor algum, mas a fé que atua pelo amor. (Gl 5:5-6)
Agora, segundo essa inferência, Deus fez sua parte na cruz e agora exige que seus filhos se aperfeiçoem em santidade. Mais uma vez nos defrontamos com uma argumentação falida e sem sustentação teológica. Seria uma irresponsabilidade divina se Deus providenciasse, através dos méritos exclusivos de Cristo, a nossa salvação e depois exigisse que, por meio de nossos esforços, desenvolvêssemos o que ele começou. Tanto a salvação como a santificação acontecem na vida do cristão pela fé, não advêm dele mesmo, são dons gratuitos de Deus: Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros, que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para salvação preparada para revelar-se nesse último tempo. (1 Pe 1:3-5)
Infelizmente temos de admitir que alguns líderes firmam-se em seus cargos incutindo medo nas pessoas. Primeiro, diminuem a obra vicária de Cristo pelas exigências pesadíssimas que impõem sobre as pessoas. Depois, mantêm-nas presas pelo medo inerente à quebra de algum dos inúmeros mandamentos apregoados a cada sermão. Como legisladores de pesadas exigências religiosas, tais líderes se estabelecem como autênticos messias. Essa situação é duradoura porque, ao elaborarem um sistema tão implacável, ninguém nunca se sente isento de culpa para poder questioná-los.
Será autenticamente cristã uma pessoa presa pelo legalismo religioso?. Há duas dimensões nessa pergunta que necessitam ser pensadas. Uma negativa e outra positiva.
Primeiro, analisemos, do ponto de vista negativo, o caso dos líderes.
Jesus condenou severamente os líderes religiosos que atam fardos pesados de normas, exigências e condenações nos ombros das pessoas. A linguagem grave e reprovadora em Mateus 23 evidencia a intolerância de Cristo em relação ao legalismo: Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens, entretanto eles mesmos nem com o dedo querem movê-los... Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! por­que fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando... Guias cegos! que coais o mosquito e engolis o camelo. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes por dentro estão cheios de rapina e intemperança. Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo. Ai de vós, escribas e fariseus hipócri­tas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. (Mt 23:4,13,24-27)
Nenhum líder religioso pode alegar que não compreendeu bem os desígnios de Deus. Se uma corte humana condena um médico por imperícia, imagine quando Deus trouxer seus mi­nistros diante do tribunal de Cristo para prestarem contas de como manusearam sua Palavra. Paulo admoestou Timóteo - e por inferência, todos os obreiros - sobre a responsabilidade de manejarem bem a Palavra da verdade: Procura apresentar-te diante de Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. (2 Tm 2:15) Nesse texto, manejar vem da palavra grega orthotomeo e transmite o conceito de "cortar certo", como um soldado deve­ria fazer com sua espada. Requer-se, portanto, que um líder saiba "cortar" corretamente o texto sagrado, diferenciando o certo do errado e ensinando que a letra da lei mata, enquanto o seu espírito (sentido, significação) vivifica. O legalismo é in-justificável diante de Deus.
Segundo, positivamente e com misericórdia, nós precisa­mos lembrar que o povo de Deus está preso a um sistema re­ligioso tiranizador. Essas doutrinas algemam as pessoas a um evangelho que promete libertação mas que, ao contrário, condena: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do Inferno duas vezes mais do que vós. (Mt 23:15)
Jesus irou-se com os fariseus porque eles esmagavam seus prosélitos com uma religiosidade perversa, condenando-os duas vezes mais. Por que esse duplo inferno? O legalismo, além de não garantir salvação, oprime lastimosamente devido à pressão de leis arbitrárias. O inferno é dobrado também, por­que a própria instituição que promete libertação e vida abun­dante responsabiliza-se em criar métodos para impedir que suas promessas se concretizem. Vale lembrar a admoestação de 1 Pedro 5:1-3: Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas esponta­neamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confia­dos, antes tornando-vos modelos do rebanho.
            Portanto, não vivemos sem leis, pois já temos a lei suficiente de Cristo e não carecemos de legalismo humano.
PARTE 2 – TEXTO 2.
Mais tarde, quando comecei a escrever a respeito do problema da dor, encontrei outra forma de não-graça. Alguns leitores levantaram objeções à minha simpatia com aqueles que sofrem. As pessoas sofrem porque merecem, elas me diziam. Deus as está punindo. Tenho muitas dessas cartas em meu arquivo, declarações modernas dos “provérbios de cinza” dos amigos de Jó.
No seu livro Guilt and Grace [Culpa e Graça], o médico suíço Paul Tournier, um homem de profunda fé pessoal, admite: “Não consigo estudar com você este sério problema da culpa sem levantar o fato óbvio e trágico de que a religião – a minha própria como também a de todos os crentes – pode esmagar em vez de libertar”.  Tournier fala de pacientes que o procuraram: um homem abrigando culpa por causa de um antigo pecado, uma mulher que não podia esquecer de um aborto que fizera há dez anos. O que os pacientes realmente buscam, diz Tournier, é graça. Mas, em algumas igrejas encontram a vergonha, a ameaça do castigo e um sentimento de julgamento. Resumindo, quando procuram graça na igreja, com freqüência encontram não-graça.

 COMENTÁRIO
            Nesta parte do texto me atentarei para os temas RELIGIÃO, CULPA, PERDÃO, GRAÇA E NÃO-GRAÇA (OU POR QUE NÃO DIZER: DESGRAÇA?!).

  • RELIGIÃO

Aqui quero ressaltar uma avaliação da(s) religião(s) face ao evangelho da graça. Pois a Palavra de Deus propõe a salvação pela graça e por meio da fé (Ef. 2.8,9), diferentemente das propostas religiosas que temos visto. Religião é religare, ou religação. Jesus é o caminho de volta para Deus (Jo. 14.6; At. 4.12)
As diversas religiões do mundo se opõem diametralmente a isso. O hindu alcança a "libertação" através da meditação, da disciplina e da devoção. O budista theravada alcança a salvação pessoal ao vencer todo "desejo", como conseqüência de seguir as quatro honoráveis verdades e a senda óctupla. O Islamismo é também, em grande parte, uma religião de obras. Ao abordar a questão do perdão, invariavelmente um muçulmano garantirá que Alá, de fato, perdoava os pecados; porém jamais se encontrará um muçulmano que pudesse dizer, com segurança, que todos os seus pecados haviam sido perdoados e que ele iria para o céu. Parecia que Alá perdoava aqueles que mereciam ser perdoados. A glória da fé cristã reside em que Deus perdoa gratuitamente aqueles que não merecem ser perdoados e que não conseguem erguer um único dedo para se ajudarem a si mesmos.
Se fizermos um resgate para fins de informação sobre a lei e a graça notaremos nitidamente a pobreza e a insuficiência das religiões e das leis religiosas dos homens para salvação.
A dissociação entre a Lei e a Graça tem sido uma das características da igreja evangélica dos nossos dias. As frases seguintes constituem o ensinamento típico que estamos acostumados a ouvir:  Na Lei: Para não adulterar, o meio utilizado foi o apedrejamento. Na Graça: Para não adulterar, o meio utilizado foi o amor a Cristo. Na Lei: Para contribuir, o meio utilizado foi o medo do devorador. Na Graça: Para contribuir, o meio utilizado é o amor a Cristo.
É possível dizer que, nalguns aspectos, o cristão está livre da Lei de Deus. Nem sempre a Bíblia fala da Lei no mesmo sentido. Às vezes a considera como a expressão imutável da natureza e da vontade de Deus, aplicável em todos os tempos e em todas as condições. Mas também se refere a ela de acordo com as funções que ela exerce na aliança das obras, na qual a dádiva da vida eterna foi condicionada ao seu cumprimento. O homem deixou de preencher a condição, com isso perdendo também a capacidade de preenchê-la, e agora está, por natureza, sob a sentença de condenação. Quando Paulo traça um contraste entre a Lei e o Evangelho, está pensando neste aspecto da Lei, a quebrantada Lei da aliança das obras, que já não pode justificar o pecador, só podendo condená-lo. Da Lei neste sentido particular, como meio para obtenção da vida eterna e com poder condenatório, os crentes são postos em liberdade em Cristo, visto que Ele se fez maldição por eles e também satisfez as exigências da aliança das obras a favor deles. A Lei, nesse sentido particular, e o Evangelho da livre graça de Deus são mutuamente exclusivos.
 Há, porém, outro sentido, em que o cristão não está livre da Lei. A situação é completamente diversa quando pensamos na Lei como expressão das obrigações morais do homem para com o seu Deus, a Lei como é aplicada ao homem, mesmo independentemente da aliança das obras. É impossível imaginar alguma condição na qual o homem pudesse reivindicar liberdade da Lei nesse sentido. É puro antinomismo afirmar que Cristo guardou a Lei como regra de vida pelos Seus, de modo que eles não precisam preocupar-se mais com isso. A Lei reivindica, e com justiça, toda a vida do homem, em todos os seus aspectos, sua relação com o Evangelho de Jesus Cristo inclusive. Quando Deus oferece o Evangelho ao homem, a Lei exige que este o aceite. Alguns falam disso como a Lei no Evangelho, mas isto dificilmente está correto. O Evangelho mesmo consiste de promessas, e não é nenhuma lei; todavia, há uma exigência da Lei em conexão com o Evangelho. A Lei não somente exige que aceitemos o Evangelho e creiamos em Jesus Cristo, mas também que levemos uma vida de gratidão, em harmonia com as suas exigências.
A graça de Jesus se caracteriza pela grande liberdade dos cristãos (Gl. 5.1);  Todavia esta liberdade não é LIBERTINAGEM como querem alguns (Jd. 4) “Pois certos homens, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se dissimuladamente no meio de vocês. Estes são ímpios, e transformam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor.” (NVI);  “A VERDADEIRA LIBERDADE NÃO É FAZER O QUE SE QUER, MAS SIM USUFRUIR DE TUDO O QUE CRISTO NOS DÁ” – (Ef. 1.3) “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo.” (NVI);  Jesus disse que o pacto da graça tinha em seu fiador um jugo suave e um fardo leve (Mt. 11.30); Ao contrário da graça, a lei tem um jugo insuportável que nem o povo de Israel conseguiu suportar e nunca ninguém levará este fardo na íntegra. sobre os seus ombros (At. 15.10); Hoje vemos em muitas Igrejas , homens falando de si mesmos e atando fardos pesados sobre os seus ombros e dizendo que temos que pagar o preço da salvação (Mt. 23.4,13); “POR SER UMA ALIANÇA SUPERIOR À LEI, A GRAÇA É MAIS SEVERA EXATAMENTE POR TER O TESTADOR MORRIDO PELA HUMANIDADE PARA CONFIRMAR O TESTAMENTO.” (Hb. 9.16-17) “No caso de um testamento, é necessário que se comprove a morte daquele que o fez; pois um testamento só é validado no caso de morte, uma vez que nunca vigora enquanto está vivo quem o fez.” (NVI).   A graça não levando o seu fardo leve e o seu jugo suave, por querer levar o pesado fardo que Cristo já levou por nós, o Senhor punirá RIGIDAMENTE. Querer introduzir os ritos e o fardo pesado da lei na graça é uma “Profanação do Sangue da Graça Derramado por Cristo na Cruz.”, e é também um ultraje ao Espírito Santo (Hb. 10.26-31) “Se continuarmos a pecar deliberadamente depois que recebemos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, mas tão-somente uma terrível expectativa de juízo e de fogo intenso que consumirá os inimigos de Deus. Quem rejeitava a Lei de Moisés morria sem misericórdia pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado, e insultou o Espírito da graça? Pois conhecemos aquele que disse: “A mim pertence a vingança; eu retribuirei”; e outra vez: “O Senhor julgará o seu povo”. Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo!.” (NVI); Na lei, os filhos rebeldes e as pessoas adúlteras eram apedrejadas até a morte por homens pecadores (Lv. 20.10; Dt. 21.18-21). Havia pecados para morte e outros não;  Na graça, não há distinção de pecados, pois todos ofendem a Deus (Rm. 5.17); é por isso que Jesus advertiu àqueles homens que queriam apedrejar a mulher adúltera, porém, ninguém atirou a pedra nela, pois todos eram pecadores também. Não podiam condena-la, embora todos quisessem, mas todos somos iguais perante o Senhor (Jo. 8.1-11).  
A graça é a lei de Cristo. A lei da liberdade, ONDE A MISERICÓRDIA TRIUNFA SOBRE O JUIZO, ou seja, a graça triunfa sobre a lei, o perdão triunfa sobre a condenação e é por esta lei da liberdade que seremos julgados (Tg. 2.12-12) “Falem e ajam como quem vai ser julgado pela lei da liberdade; porque será exercido juízo sem misericórdia sobre quem não foi misericordioso. A misericórdia triunfa sobre o juízo!.” (NVI). A lei de Cristo (graça), é a lei da fé e do amor e da liberdade (Rm. 3.27-28; Gl. 6.1-5); esta lei não visa interesses próprios, e sim o interesse de outrem (I Co. 10.23-24). A LEI RÉGIA É ESTA: “Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a Lei. Pois estes mandamentos: “Não adulterarás”, “Não matarás”, “Não furtarás”, “Não cobiçarás”, e qualquer outro mandamento, todos se resumem neste preceito: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. O amor não pratica o mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da Lei.” (Rm. 13.8-10) (NVI).
Finalmente todos há de convir que a religião é somente uma tentativa dos homens de se achegarem a um céu imaginário a semelhança da torre de babel (Gn. 11.1-9). Jesus é o caminho, as religiões são atalhos, todavia para o céu de Deus não há caminhos e nem atalhos. Quem conhece Jesus segue por outro caminho, o caminho exclusivo para o céu. Aleluia!

  • CULPA

Pode o conhecimento da Lei  causar-nos   danos  psíquicos,   e produzir culpa e um  sentimento  de   condenação  prejudicial para toda a vida? Na prática, percebemos que sim.
 A Lei  serviu  a  dois  propósitos: revelar e restringir o pecado do homem. Vendo  claramente  o seu pecado, enxergaria   a  necessidade  de  um  Salvador.  A restrição ao pecado serviu para manter os judeus - e  os  livres da contaminação. Fechados em suas restrições, os homens estavam livres de problemas. Porém, todos sentiam que algo ainda faltava e que um sentimento forte de culpa ainda os perseguia; e isto adoece o homem ainda mais.
O peso da culpa tem uma balança interna e externa. Tem uma base na cultura e outra na alma. De um lado a cultura aperta denunciando, cobrando e condenando, e do outro, a consciência sofre e geme provocando medo, fuga e solidão profunda. Como isto funciona?
A sugestão social é, então, fonte de inumeráveis sentimen­tos de culpa. Um silêncio reprovador, um olhar de desprezo ou zombaria, uma frase pronunciada não raro impensadamente po­dem constituir uma poderosa sugestão. Assim, uma filha chora a morte de seu pai e a mãe insinua: "Não chore por seu pai; ele morreu porque você não era boazinha; agora, você deve me obe­decer!"
Inversamente, se ele passa bruscamente da depressão a uma nova fase de excitação, ele experimenta uma melhora tão ma­ravilhosa que ele descreve como uma verdadeira experiência es­piritual. Com um tom de sinceridade impressionante, ele diz que enfim compreendeu a graça divina e que não duvidará dela nun­ca mais. Mas não podemos, por outro lado, sustentar que toda experiência do perdão de Deus seja patológica! Com o exercí­cio da medicina, tornamo-nos muito prudentes diante deste grande mistério do sentimento de culpa.
Devemos, portanto, procurar compreender a origem destes sentimentos de culpa. Alguns já conhecem a explicação de Freud; segundo ele, o sentimento de culpa seria somente o efeito de um constrangimento social. Este sentimento nasce na alma da criança quando seus pais ralham com ela e não é nada mais que um sentimento de angústia por perder o amor de seus pais que se tornaram, de repente, hostis. Ninguém contesta mais a realidade deste mecanismo, nem a importância da descoberta de Freud que confirma, aliás, o que a Bíblia já nos dizia: o quanto o ser humano tem necessidade de se sentir amado.
Esta explicação permanece válida aos nossos olhos no que concerne à culpa das crianças, ao menos dos pequeninos, ou destes que permanecem infantis toda a vida. É o tipo de culpa fruto do treinamento, que nós encontramos também nos ani­mais. Os cães demonstram sinais evidentes de culpa quando de­sobedecem, mesmo antes que se ralhe com eles.
Sim, as coisas que Deus reprova no secreto de nosso coração são geralmente muito diferentes das que os homens condenam! Uma pessoa é, por exemplo, julgada orgulhosa por todos em razão de sua vaidade, que ela demonstra constantemente e sem nenhuma afetação. Na realidade ela se reprova de uma coisa bem diferente: um dia, alguns anos atrás, ela covardemente traiu um amigo, que havia depositado confiança nela. Hoje em dia, ainda, ela não consegue compreender a sua própria conduta, nem se perdoar. Ela sente remorsos que nunca ousou confessar. Este arrogante comportamento que irrita o seu próximo não é senão uma fachada atrás da qual ela esconde o seu verdadeiro drama interior.
Na realidade, ela se despreza. Ela é bem menos orgulhosa do que eu. Esta atitude de vanglória que toma, e que todo mun­do reprova, não são senão as tentativas constantes e vãs de se revalorizar aos próprios olhos. O desprezo que ela demonstra aos outros disfarça a necessidade de desvalorizá-los, por não ter o poder de valorizar-se a si mesma. Ela encontrará a consciên­cia de seu valor como pessoa somente pela experiência do per­dão de Deus. Mas este perdão será para esta falta secreta da qual ela tanto se envergonha, e não para o orgulho aparente que os homens reprovam nela. Contra esta reprovação, ela se defende sempre obstinadamente, porque ela sente ser injusta, este reflexo de defesa a impede de confessar a sua verdadeira falta.
Outro seria o caso de uma mulher que é julgada leviana, frí­vola, sensual, porque flerta com todos os homens que encontra e tece, sem cessar, novas intrigas amorosas. Ora, o que ela repro­va em si mesma é, paradoxalmente, uma estranha timidez. Muito jovem, ela passou por um período de fervor religioso e sentiu-se chamada a uma vocação religiosa. Mas ela não ousou jamais falar sobre isso a ninguém. Ela tem um pesar por haver negado a sua vocação e este remorso a persegue. Este turbilhão mundano no qual se jogou, não é senão uma contínua distração. Ela tem necessidade, para se afirmar, das homenagens dos homens que ela não pode amar de verdade e que se aproveitam dela.
Veja bem: é precisamente a voz dos pais, tão zelosos em sua educação moral, que abafa a voz de Deus; os julgamentos dos pais impedem a criança de tomar consciência daquilo que Deus está dizendo.
Mas, inversamente, na culpa mais neu­rótica, há também uma referência à culpa à angústia mais auten­ticamente humanas das quais nós nos defendemos sempre e que dão intensidade a nosso medo de ser criticado.
A culpa parece ser, então, totalmente subjetiva. Ninguém pode dizer com certeza a seu amigo: você é culpado disto ou da­quilo. Uma pretensão como esta de fundamentar objetivamente a culpa constitui, em suma, um atentado à pessoa, à sua autono­mia, à responsabilidade pessoal de cada um, em vista desta verdade psicológica que somente a própria pessoa pode se re­conhecer culpada ou não, e dizer por que é culpada.
Assim, no dia-a-dia, somos continuamente envolvidos nesta atmosfera doentia de críticas mútuas, a ponto de nem sempre nos apercebermos disso. Ficamos aprisionados em um implacá­vel círculo vicioso: toda censura suscita um sentimento de cul­pa, tanto no crítico quanto no criticado, e cada um se livra co­mo pode do sentimento de culpa, criticando um outro e se autojustificando.
Esta culpabilidade cotidiana interessa muito ao médico e ao psicólogo, porque está ligada ao relacionamento com os outros, às críticas alheias, ao desprezo social e ao sentimento de inferio­ridade. Remorso, consciência pesada, vergonha, constrangimen­to, inquietação, confusão, timidez e até modéstia: há um elo entre todos estes termos e não há fronteiras bem delineadas.
Minha reação imediata foi de me defender: "Como!? Pro­curo ser o campeão do direito de cada um ser o que é, sem reser­vas e sem fingimento; e você não ousa manifestar os seus dese­jos, com medo de minhas críticas!" Assim, eu tentava devolver-lhe a responsabilidade do sentimento de culpa que ela havia ex­perimentado. Posso tornar-me o campeão ardoroso do dever de cada um ser o que é, sem perce­ber que faço pesar sobre a minha esposa uma crítica silenciosa quando ela tem um comportamento diferente do meu ou se mostra diferente de mim.
Cultivo, assim, um sentimento de falsa culpa nela. Porque a verdadeira culpa é, principalmente, você não ousar ser você mesmo. É o medo do julgamento dos outros que nos impede de sermos nós mesmos, de nos mostrarmos tal como somos, de manifestarmos nossos gostos, desejos e convicções, de nos desenvolvermos, de nos expandirmos segundo a nossa própria natureza, livremente. É o medo do julgamento dos outros que nos esteriliza, que nos impede de produzir todos os frutos que somos chamados a produzir. "Fiquei com medo" diz, na pará­bola dos talentos, o servo que escondeu o seu talento na terra, em lugar de fazê-lo valorizar. (Mt 25:25 BLH)
Podemos rastrear nas Escrituras os sentimentos de culpa marcando a vida de homens de Deus que reconheciam seus erros e também eram apontados pelos profetas e suas consciencias.
Portanto, os protestos dos profetas insurgem-se, com um vigor sempre crescente, contra aquelas pessoas que se devotam, ao mesmo tempo, à iniquidade e à piedade ritualista. Numero­sas passagens de suas pregações sobre este tema podem ser cita­das. Em Isaías 1:11-17 temos: "De que me serve a mim a multi­dão de vossos sacrifícios? Diz o Senhor. Estou farto dos holo­caustos de carneiros, e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos reque­reu o só pisardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso ê para mim abominação, e também as luas novas, os sábados, e a convocação das congregações; não posso supor­tar iniquidade associada ao ajuntamento solene... as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opres­sor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas." Ou Jeremias 7:8-10: "Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam. Que é isso ? Furtais e matais, cometeis adultério e jurais falsamente, queimais incenso a Baal e andais após outros deuses que não conheceis, e depois vindes e vos pondes diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu no­me, e dizeis: Estamos salvos."
Tal é, por exemplo, a comovente narrativa da visão de Isaías (6:1-7): "No ano da morte do Rei Uzias, eu vi o Senhor assenta­do sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes en­chiam o templo. Serafins estavam por cima dele... E clamavam uns para os outros, dizendo; Santo, santo, santo ê o Senhor dos Exércitos". Então Isaías clamou: "Ai de mim! Estou perdido! porque sou homem de lábios impuros, habito no meio dum po­vo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! Então um dos serafins voou para mim trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lá­bios, a tua iniquidade foi tirada, e perdoado o teu pecado".
No dia seguinte Moisés interveio novamente entre dois hebreus que estavam discutindo, porém um exclamou: "Quem te pôs por príncipe e juiz sobre nós? pensas matar-me como matastate o egípcio? Temeu, pois, Moisés, e disse: com certeza o descobri­ram. Informado desse caso, procurou Faraó matar Moisés; po­rém Moisés fugiu de Faraó, e se deteve na terra de Midiã"..
Moisés protesta. Ele acumula uma objeção após outra. Ele se escusa em seu sentimento de inferioridade: "Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?" (Êx 3:11). Além disso ele não pode se expressar bem: "Ah! Senhor! eu nunca fui eloquente" (Êx 4:10). Ele tem dúvidas e teme que os hebreus não acreditem nele: "... dirão: O Senhor não te apa­receu" (Ex 4:1). Ele teme que eles apresentem questões teoló­gicas que ele não possa responder: "se eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi?" (Êx 3:13). Ele tenta re­sistir novamente: "Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar, menos a mim. Então se acendeu a ira do Senhor contra Moi­sés" (Êx 4:13-14).
No salmo que se segue, a solução oposta é expressa da for­ma mais comovente (Sl 51:2, 3, 7).
"Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve."
O contraste é ressaltado entre o caráter provisório dos antigos sacrifícios e o caráter definitivo do sacrifício da cruz: "Ora, todo sacerdote se apresenta dia apôs dia a exercer o servi­ço sagrado e a oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca jamais podem remover pecados; Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assen-tou-se à destra de Deus. Porque com uma única oferta aperfei­çoou para sempre quantos estão sendo santificados" (Hb 10:11-12, 14).
Salvação não é mais uma idéia remota de perfeição, para sempre inacessível; é uma pessoa: Jesus Cristo, que veio a nós, veio para ficar conosco, em nossas casas, em nossos corações. O remorso é silenciado pela sua absolvição. Ele substitui o remorso com uma simples pergunta, aquela que fez ao após­tolo Pedro: "Tu me amas?" (Jo 21:15). Precisamos responder esta questão, e achar em nossa ligação pessoal com Jesus Cristo paz para as nossas almas.
Há um "gancho" na graça que preciso mencionar agora. Nas palavras de C. S. Lewis:5 "Agostinho diz 'Deus dá onde Ele encontra mãos vazias'. Um homem cujas mãos estão cheias de pacotes não pode receber um presente". A graça, em outras palavras, tem de ser recebida. Um homem que não admite culpa não pode aceitar o perdão".

  • PERDÃO

Temos um conceito social de que perdoar é esquecer. Por outro lado já achamos alguém dizer não há como esquecer o que nos acontece, sempre nos vem a lembrança. Tem pessoas que dizer que só perdoam no limite de 3 vezes de ofensa, depois já era. Ninguém cita mais a Bíblia quando se trata de perdão, por isso sofre ainda mais.
Setenta x Sete nada mais é do que a numerologia do perdão, a matemática do amor. Por isso lemos este texto de Mateus capítulos 18 e 19 que falam a respeito do assunto.  O que é então falar de perdão na ótica das Escrrituras?
Falar de perdão é falar de Deus, é falar da graça, é falar da capacidade de oferecer aos outros uma memória apagada, sem registros, sem mágoas e sem as tatuagens do ressentimento. Perdoar é deixar o outro nascer de novo na nossa história, sem as memórias que fizeram dele uma desagradável lembrança. Falar de perdão é falar de um alto padrão, é falar de algo que o mundo não ensina, é falar daquilo que a natureza caída do cosmos não criou, nem por seleção natural, nem por geração espontânea, porque não se aprende as leis do perdão na natureza. Falar de perdão é falar de vida, de saúde, de paz e da verdadeira humanidade individual que se transforma na semelhança de Deus, pois quem não perdoa, adoece e se deforma como gente. Falar de perdão é falar do sentimento essencial para se viver com o coração descoberto neste mundo de agressões e de facas afiadas. Falar de perdão é falar de Jesus e dos homens que com Ele almejam ficar parecidos. Falar de perdão é falar da repetição da vida de Jesus na nossa pobre, frágil e caída humanidade individual. Falar de perdão é falar de Deus na minha e na sua vida.
O perdão na igreja, no casamento e nas relações interpessoais tem um padrão, e Jesus ensina qual é esse padrão. Quando nós nos confrontamos com a necessidade de perdoar alguém devemos ter em mente seis realidades sobre o padrão divino de perdoar.
1. Devemos ter em mente que todos nós somos devedores. Todos devemos ao rei, todos devemos a Deus, todos devemos mais do que valemos.  
2. Você           e eu precisamos saber, sempre que estivermos confrontados com a necessidade de perdoar alguém, que todos nós recebemos graça.
3. Tudo quanto nosso próximo nos deve é infinitamente menos do que aquilo que devemos a Deus. Vejam a comparação que a Bíblia faz dos valores perante Deus. Ao rei, ele devia 10 mil talentos, 60 milhões de denários. Já o outro ele devia 100 denários.

4. Não perdoar ao próximo é tratá-lo como Deus não nos tratou . É jogar o meu próximo no cárcere psicológico, existencial, moral e espiritual. É lançá-lo num inferno temporal. E Deus não nos lançou no inferno eterno.
5. Todos os que recebem o perdão de Deus têm perante Ele o compromisso perpétuo de repetir o mesmo gesto com os outros tantas vezes quantas sejam necessárias. Então o seu Senhor, Chamou-o, disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda, porque tu pediste, tu me suplicaste; não devias tu igualmente, ou como eu fiz contigo, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? (32,25).
6. Quem não perdoa coloca a si mesmo debaixo do juízo de Deus outra vez: Indignando-se o Senhor o entregou aos verdugos até que pagassem toda a dívida.
Há muitos verdugos psicológicos, existenciais, emocionais e espirituais para nos punirem já nesta vida. Quem não perdoa não será punido apenas na eternidade, é punido aqui. Quem não perdoa já está sob o poder dos verdugos aqui. Quem não perdoa fica com cancro na alma, envenena o coração e se auto-chicoteia pelo verdugo da consciência. Flagela-se, encarcera-se, tem sua penitenciária neste mundo.
Antes de finalizar este assunto inesgotavel do perdão cabe apresentar os três lembretes importantes sitados pelo escritor Caio Fábio sobre o perdão:
1.      Primeira lembrança: Somos apenas diáconos da vida. O texto diz que somos servos. Somos servos do dono da fazenda, do mundo. Somos trabalhadores.
2.      Segunda lembrança: Fazer a vontade do Senhor é a coisa mais natural e normal para o servo. Quando você estiver perdoando, perdoando, perdoando, saiba que você está apenas fazendo o ordinário, você não está fazendo nada de extraordinário.
3.      Terceira lembrança: O Senhor não tem que nos agradecer por termos feito o que Ele nos mandou (Lc 17:9). Não tem que agradecer a você por ter feito o que Ele ordenou. Está ordenado e você tem que alegremente atender. E isso inclui o dever de perdoar sempre, desde o íntimo.
Finalmente, quem recebeu o perdão de Deus tem um compromisso perene, perpétuo, definitivo, repetível tantas vezes quantas sejam necessárias de dar aos outros o mesmo perdão que Deus lhe deu.
Você recebeu graça? Você recebeu perdão? Então você está eternamente comprometido a ser uma miniatura de Deus nas relações com o seu próximo! Você está eternamente obrigado a repetir o mesmo gesto na relação com os outros. Sois deuses, como disse Jesus, nessa pequena relação de indulgência, de perdão, de misericórdia perpétua para com o outro, para com o próximo, na família, no trabalho, na igreja, na sociedade lugares onde diariamente esses reclamos nos são feitos pela própria realidade.
Aquele que não pode perdoar destrói a ponte sobre a qual ele mesmo tem de passar.”(George Herbert)

  • GRAÇA e NÃO-GRAÇA

A graça é isto: Deus agindo com benevolência em favor daqueles que merecem toda Sua ira e indignação. Graça pode ser definida "como o favor eterno e totalmente gratuito de Deus manifestado na concessão de bênçãos espirituais e ternas às criaturas culpadas e indignas. A graça é a concessão de favores a quem não tem mérito próprio, e pelos quais não se exige compensação alguma da parte do homem". Graça é Deus dar ao pecador aquilo que ele não merece, ou seja, a salvação. Graça é favor imerecido dado por Deus. Quando Deus é bondoso, ele revela a sua bondade que chamamos de graça. Não podemos esquecer de que esta graça só é dada para aqueles que Deus amou de maneira especial. Ela não é manifestada a humanidade toda no sentido de salvação. Ela é somente para os escolhidos de Deus. É exatamente por causa desta graça especial que Deus não rompe conosco, não cessa a sua aliança. Esta graça que é eterna foi idealizada antes de ser manifesta aos homens. Ela foi proposta antes de ser comunicada a eles (II Tm. 1:9). Esta graça que é soberana, que reina, por isso encontramos o texto de Hb. 4:16 " o trono da graça" é dada para que sejamos escolhidos por Deus (Rom. 11:5-6); para que sejamos regenerados (Gl. 1:6; I Pe. 3:7); para que sejamos santificados ( I Pe. 5:10); para que entremos na glória de Deus ( I Pe. 5:10); para que sejamos edificados pela Palavra de Deus (Atos 14:3; 20:32); para que recebamos consolação e socorro ( II Ts. 2:16-7; Hb. 4:16). E para que por fim nós glorifiquemos ao Senhor Jesus (II Ts. 1:12).

Definição de Graça Comum: "Graça Comum é a restringência e também a influência persuasiva do Espírito Santo agindo através da verdade revelada no Evangelho, ou através da luz da razão e da consciência, aumentando o efeito moral natural de tal verdade sobre o entendimento, consciência e coração. Ela não envolve nenhuma mudança de coração, mas simplesmente a melhora dos poderes naturais da verdade, a restringência das paixões más, e o aumento da emoções naturais em vista do pecado, do dever e do interesse próprio"
"Graça comum é cada favor de qualquer espécie ou grau, excetuando a salvação, que este mundo imerecedor e maldito pelo pecado, desfruta das mãos de Deus" Por Graça Comum ou universal (porque alcança todos indiscriminadamente) entende-se uma graça que restringe a manifestação do pecado na vida humana sem remover a pecaminosidade humana, permitindo que incrédulos profiram muitas verdades e produzam muitos feitos que são bons.
É uma graça que refreia o pecado, porém sem regenerar o ser humano. BASE BÍBLICA PARA A GRAÇA COMUM: (Gn 20:6; Rm. 1:24-28 Rm. 13:3-4; I Pedro 2:13,14).
A diferença entre a graça comum e a especial deve ser vista no resultado que elas realizam naqueles que são totalmente depravados.
a. A Graça Especial tem uma conotação redentora, enquanto a Comum é sinônima de não-redentora. A Graça Comum refreia o pecado, mas não muda a natureza. Ela segura a manifestação do pecado, mas não o extingue.
b. A Graça Especial muda as disposições interiores retirando do pecador a inimizade contra Deus. A Graça Comum não provoca mudanças na vida do pecador. É apenas um freio.
c. A Graça Especial muda o coração, a comum muda apenas a atitude. A mudança realizada pela graça comum é apenas moral e não espiritual.
d. A Graça Especial atinge somente os eleitos, enquanto a comum atinge a todos indistintamente, como o próprio nome diz, é "comum".

Percebendo esta diferença resta-nos a perguntar: o que não é graça? O que seria a não-graça? Em síntese, a não graça seria uma desgraça. É cair da graça ou não considerá-la. Pensar que podemos nos purificar ou justificar a nós mesmos, criar um deus ou uma lei de santidade para si mesmo, viver uma vida sem conhecimento de Deus, sem um relacionamento com Deus e sem o toque do Espírito da Graça, é uma tremenda desgraça eterna. (Gl. 5.4; Hb. 4.16; 10.29;12.15).

O homem nasceu quebrado. Ele vive se consertando. A graça de Deus é a cola. (Eudene O'Neill)
O graça momentânea dos homens mortais, que nós procuramos mais ao que a graça de Deus.(Shakespeare, Ricardo III)
Eu não sei nada, exceto uma coisa que todos sabem quando a Graça dança, eu também devo dançar. (W. H. Auden)

PARTE 3 – TEXTO 3.
Uma mulher divorciada contou-me que estava no santuário de sua igreja com sua filha de 15 anos de idade quando a esposa do pastor se aproximou. “Ouvi dizer que você e seu marido estão se divorciando. O que não consigo entender é, se vocês amam Jesus, por que estão fazendo isso?” A esposa do pastor nunca havia conversado com a minha amiga antes, e sua dura repreensão na presença da filha deixou-a perplexa. “A dor estava no fato de que eu e meu marido amávamos Jesus de coração, mas o casamento havia-se quebrado além do conserto. Se ela apenas tivesse me abraçado e dito: “Eu sinto muito...”.
Mark Twain costumava falar de pessoas que eram “boas no pior sentido da palavra”, uma frase que, para muitos, capta a reputação dos cristãos de hoje. Recentemente, estive fazendo uma pergunta a pessoas desconhecidas – pessoas sentadas ao meu lado no avião, por exemplo – quando buscava dar início a uma conversa. “Quando eu digo as palavras ‘cristão evangélico’, no que você pensa?” Em resposta, ouço principalmente suas descrições políticas: ativistas barulhentos a favor da vida, ou oponentes aos direitos dos homossexuais, ou proponentes para censurar a Internet. Ouço referências à Maioria Moral, uma organização desbaratada anos atrás. Nenhuma vez – uma única vez sequer – ouvi uma descrição com fragrância de graça. Aparentemente, esse não é o aroma que os cristãos distribuem pelo mundo.
H. L. Mencken descreveu um puritano como uma pessoa com um medo obsessivo de que alguém, em algum lugar, seja feliz; hoje, muitas pessoas aplicariam a mesma caricatura aos evangélicos ou fundamentalistas. De onde vem essa reputação de retidão sem alegria? Um artigo da humorista Erma Bombeck nos dá uma pista: Domingo passado, na igreja, eu prestava atenção a uma criança que se virava para trás e sorria para todos. Ela não estava fazendo nenhum barulho, nem estava cantarolando, o u chutando, nem rasgando os hinários, nem mexendo na bolsa da mãe. Apenas sorrindo. Finalmente, sua mãe olhou para ela com cara feia e num sussurro teatral que poderia ser ouvido em um pequeno teatro da Broadway, disse: “Pare de sorrir! Você está na igreja!”. Em seguida, deu-lhe um tapa e, quando lágrimas começaram a rolar pela face da criança, a mãe acrescentou: “Assim é melhor”, e retornou às suas orações... Subitamente, eu fiquei zangada. Percebi que o mundo inteiro está em lágrimas e, se você não está chorando, é melhor começar. Eu quis abraçar aquela criança com o rosto molhado de lágrimas e lhe falar a respeito do meu Deus. O Deus feliz. O Deus sorridente. O Deus que precisava ter senso de humor para ter criado gente como nós... Por tradição, as pessoas usam a fé com a solenidade de acompanhantes de enterro, a seriedade de uma máscara trágica e a dedicação de um participante do Rotary. Que loucura, eu pensei. Aqui está uma mulher sentada ao lado da única luz ainda existente em nossa civilização – a única esperança, nosso único milagre – nossa única promessa de infinidade. Se ela não podia sorrir na igreja, para onde deveria ir? Essa caracterização de cristãos certamente está incompleta, pois conheço muitos cristãos que personificam a graça. Mas em algum ponto da história a igreja conseguiu receber uma reputação de falta de graça. Como orou uma menininha inglesa: “Ó Deus, transforme as pessoas ruins em pessoas boas, e as pessoas boas em pessoas agradáveis”.

COMENTÁRIO

Finalmente irei tratar aqui do DIVORCIO E O AMOR A DEUS, POSTURA DO CONSELHEIRO,  SORRIR OU NÃO SORRIR.


  • DIVÓRCIO E O AMOR A DEUS

O divórcio é uma criação humana ou divina? Se divórcio e não não se unem, como poderia Deus criar os dois de forma tão contraditória? Não é certo que se há amor não há divórcios e se há divórcio, o amor se foi ou esfriou? E eu fico pensando que se há realmente uma razão pela qual os divórcios acontecem, essa razão é sem dúvida a falta de perdão.
Mateus coloca o divórcio só depois de haver falado em perdão. Fala de casamento só depois de haver falado em perdoar 70 x 7. Ninguém está preparado para casar, para uma relação a dois, sem antes haver passado pela aula do perdão. Acho maravilhoso que Mateus não tenha feito esse arranjo de propósito, já que foi o Espírito Santo quem o fez. Lições sobre o casamento só aparecem depois das lições sobre o perdão, porque ninguém consegue viver a dois se não tiver aprendido sincera e profundamente a perdoar.
Veja no texto de Mateus 19, o que acontece no casamento quando não há perdão. O versículo 3 diz que qualquer motivo torna uma coisa grande. Procuraram Jesus e perguntaram-lhe: É lícito deixar a mulher por qualquer motivo?
1.      Quando não há perdão, qualquer motivo é razão para separação. Quando não há perdão, qualquer pequenina coisa se agiganta. As lentes com as quais se olha são as da hipermetropia: as coisas crescem. É o perdão que põe nos olhos das pessoas a dimensão certa. É o perdão que consegue fazer de nós um pouco míopes na relação familiar: Ver menos, enxergar menos! É o amor que encobre, sem tapear, multidões de defeitos e pecados. Mas quando não há esse espírito de perdão, motivos os mais insignificantes podem desencadear o divórcio. É o temperamento incompatível, o gênio difícil e agressivo de um ou do outro; é a altura, a feiúra, a gordura ou o mau hálito; é a cultura, o marido que fez um curso a mais e que agora acha que a mulher é uma ignorante, coitadinha, uma doméstica, cujo direito, como diz o centifolio dos machistas mineiros, é esquentar a barriga no fogão e esfriá-la no tanque de levar roupa. Quando não há espírito de perdão é exatamente isso que acontece; os pequenos motivos tornam-se grandes razões, as pequenas desavenças transformam-se em guerras, as pequenas feridas se convertem em cânceres incuráveis.
2.      Em segundo lugar, quando não há perdão no casamento destrói-se a unidade das almas, pois deixam de ser os dois uma só carne. Jesus conclui dizendo: Portanto, não separe o homem o que Deus uniu.  Normalmente nós entendemos que quem separa é o Juiz, ou o pastor, quando casa de novo alguém. Entretanto não se trata disso.  Quando um casamento acaba é porque antes do fim já acabara o diálogo, já acabara o sexo, já acabara a vida em comum. Quem separa não é o Juiz, mas o homem e a mulher implicados nessa relação, dois que nunca aprenderam a perdoar. O casamento morre quando morre o diálogo, quando morrem o respeito e o espírito de perdão.  O Juiz existencial que separa ou que ajunta o casal pode ser: ou o amor ou o ódio, o perdão ou o ressentimento, respectivamente. Se não houver perdão, ainda que continuem debaixo do mesmo teto as almas se divorciam. Sem perdão dorme-se na mesma cama mas não se tem uma cama comum para as mesmas almas descansarem, para dormirem juntas no repouso psicológico, espiritual e moral da oração. Sem perdão não há unidade que sobreviva numa relação familiar.
3.      Em terceiro lugar, sem perdão prevalece a lei da dureza de coração. Jesus disse: Moisés permitiu o divórcio por causa da dureza dos corações que não aprenderam a perdoar. Divórcio é o amargo remédio de Deus para aqueles que não aceitaram a terapia própria no tempo próprio. Divórcio é a amputação para os que não se deixaram tratar enquanto havia tempo, enquanto a putrefação não tomava conta do corpo. Divórcio acontece por causa da natureza dos corações. Mas se houver perdão, até aquilo que Jesus diz que pode justificar o divórcio que neste     texto aqui é expresso como adultério, única situação que Ele permite justificar uma separação pode ser sobranceiramente eliminado pela via do perdão. É um conceito alto demais. Por isso Jesus conclui dizendo: Quem estiver apto para admitir, admita-o. Mas sem perdão só o que fica é a lei seca. Sem perdão o que resta no casamento é a lei da dureza do coração. Corações empedernidos, feitos da mais dura rocha.
Sem perdão não há nenhum casamento que sobreviva, aliás ninguém conseguirá viver bem em nunhuma área de sua vida enquato não estiver resolvido nesta área do perdão. Deus deixa claro a grande inportância do perdão quando noz diz que “se não perdoarmos não seremos perdoados por Ele”, e foi no perdão dos pecados que Ele resumiu a nossa salvação a a redenção do universo. Sola Deo Gloria!

  • POSTURA DO CONSELHEIRO

As vezes fico pensando que o nome conselho ou conselheiro perderam o sentido nos dias de hoje. Parece-me que alguns querem ser conselheiros por se sentirem superiores em conhecimento e santidade. Pessoas que se acham no direito de impor e decidir a vida dos outros por se achar num patamar elevado de espiritualidade. Isto parece mais xamanismo do que cristianismo.
A Bíblia afirma que há vitória na multidão dos conselheiros e que é melhor ouvir o sábio do que o tolo, mas o aconselhamento nas igrejas já se tornaram em momento de tortura, pois o despreparo é marcante. Parece que aconselhamento se tornou uma consulta “mediúnica” e a pessoa tem que seguir o que o “espírito” do conselheiro disse e pronto.
A final qual é a postura de um verdadeiro conselheiro? Em síntese vale ressaltar, pelo menos, três coisas que não vejo nos conselheiros de hoje:
Primeiro é o amor. Aconselhamento é um ministério de amor. O aconselhado deve se sentir amado e valorizado pelo seu conselheiro.
Segundo é a sabedoria do alto. O Aconselhamento deve ser uma jornada em busca do saber e do ser. A sabedoria de ambas as partes devem guiar toda a trajetória do aconselhamento.
Terceiro é o poder. Poder no sentido de autoridade divina, ou seja, unção e capacitação para executar e ministrar libertação de vidas. Conselheiro tem o abraço que conforta, o sorrido que alegra, a palavra que ilumina e a oração que liberta. Tudo isso é autoridade espiritual que vem de Deus.
Em suma é isto: na postura de um conselheiro deve ter um enlace de amor, sabedoria e poder do alto. Quem não gostaria de ter um conselheiro com estas virtudes indisénsáveis?


  • SORRIR OU NÃO SORRIR? EIS A QUESTÃO.

Quando eu assisti ao filme EM NOME DA ROSA, me recordo de que, naquela época, o riso é algo pecaminoso, soava num tom de zombaria n mínimo. Será que tem igrejas que ainda pensam assim? Quando entram no templo, não se sentem na presença de um  Deus de Amor, mas de um ser carrasco que pode punir quem se mexer o der uma risada. Daí torna o lugar de alegria em lugar de tristeza, lugar de pessoas agradáveis em lugar de desprezo, lugar de consolo e conforto em lugar de tormento e solidão. Mas por quê?
Acredito que algumas igrejas (denominações) estão apresentando a tradição e não a revelação,  estão apresentado a história do cristo e não o cristo da historia, estão apresentando a criação do Deus e não o Deus da criação. Conhecer a revelação especial de Deus na Sua palavra, a pessoa do Cristo e a Pessoa de Deus levará os cristãos autênticos a uma vida feliz, sorridente e agradável que contagiará o mundo e expandirá o reino de paz, justiça e amor, que é o reino de Deus.
“Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu...” (Mt. 6.9-10)

CONSIDERAÇÕES FINAIS (GRAÇA E PERDÃO).

Não resta dúvida: O homem pecador, uma vez salvo, será um eterno devedor à graça divina. “ Deus nos ressuscitou juntamente com Cristo, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, e isto para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça.” (Ef 2:6,7).
O homem sem Deus é como animal perdido na selva preparado para morrer. Todavia, se um milagre da preciosa graça não o houvesse impedido, não somente teria perecido por um golpe da justiça eterna, mas também haveria de cair em vergonha e desgraça diante a face do mundo.
O homem pode criar e recriar seus deuses, criar e recriar religiões, mas nada poderá fazer por sua alma no dia da eternidade. Abraão de Almeida diferenciou dois tipos de religião: "Há a religião divi­na e as religiões humanas. A divina é a religião do 'alto para baixo'. Nela Deus faz, isto é, oferece ao homem a graça salva­dora, por reconhecer a incapacidade humana de produzir obras de justiça. A religião divina é o plano de Deus para salvar o homem caído. As religiões humanas são 'de baixo para cima'. Nelas o homem faz, isto é, oferece a Deus o produto do seu esforço...".
"Salvação não é uma idéia; é uma pessoa. É o próprio Jesus, o próprio Deus quem se dá." Com essa frase de impacto, Paul Tournier, célebre psiquiatra cristão, sintetizou o conceito da graça: a disposição divina de abençoar os seus filhos sem que haja qualquer mérito da parte deles.
     Quem entende a graça vive uma terna vida de perdão! Oremos assim:



Oração do Agraciado

Senhor, agradeço-Te pela Tua maravilhosa graça demonstrada para comigo na cruz de Jesus, e pela fé, através da qual tenho acesso a essa graça.
Senhor, que eu não seja negligente com Tua graça; Que eu não a despreze e nem abuse dela. Permita-me trabalhar incessantemente para Ti e para a Tua glória. Que eu possa Ter uma vida espiritual forte pela Tua graça.
Senhor, que eu venha andar em TODAS as obras que preparaste para mim, a despeito da minha fraqueza e insensatez. Livra-me de pecar, Senhor, para que eu obtenha minha recompensa naquele Dia. Sim, Senhor, faça a minha vida brilhar para Ti. Amém.

Traduzido por Dawson Campos de Lima.

BIBLIOGRAFIA

  • SITES CONSULTADOS

http://www.monergismo.com/

  • LIVROS CONSULTADOS
 *       CULPA E GRAÇA, Paul Tournier, Editora ABU.
*       MARAVILHOSA GRAÇA, Philip Yancey, Editora Vida.
*       NAS GARRAS DA GRAÇA, Max Lucado, Editora CPAD.
*       O PLANO DIVINO ATRAVÉS DOS SÉCULOS, N. Lawrence Olson, CPAD.
*      PERDÃO: ENCARNAÇÃO DA GRAÇA, Caio Fábio, Editora Vinde.
*      TODAS AS RELIGIÕES SÃO IGUAIS?, Brain Maiden, ABU Editora.
*      GRAÇA EM ABUNDÂNCIA PARA O PRINCIPAL DOS PECADORES, John Bunyan.
*      É PROIBIDO, Ricardo Gondim, EDITORA MUNDO CRISTÃO.

Nenhum comentário:

Postar um comentário