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sábado, 4 de fevereiro de 2012

As Interpretações do Apocalipse




FACULDADE KURIOS

  
GILDELANIO DA SILVA

  
Trabalho sobre as Interpretações do Apocalipse para obtenção de nota da disciplina de introdução ao novo testamento do curso de Bacharel em Teologia na FAK – Faculdade Kurios. Profº Manoel Antônio.

 
 
JOÃO PESSOA - PB
2011


TRABALHO SOBRE AS INTERPRETAÇÕES DO APOCALIPSE


INTRODUÇÃO
Fazer uma análise do livro do apocalipse não é nada simples, como também não seria analisar os temas que o livro trata com peculiaridade. Tantas divergências que discorrem desta literatura apocalíptica que alguns já desistiram de exibir opinião sobre o assunto.
Se faz necessário, antes de tudo, apresentar um esboço do livro que irei tomar como base – já que dentre os comentários existentes não há unicidade. O esboço mais óbvio do livro é encontrado em Apocalipse capítulo 1: “Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas” (Ap. 1.19).

Levando em conta que Apocalipse seja dividido em sete ciclos de julgamento, cada ciclo levando a uma descrição da Segunda Vinda de Cristo.  Tem sido observado que “… mais de uma vez, quando o fim está quase alcançado, o escritor se volta para o começo…”.  Assim, o que parece termos em Apocalipse não é um desdobramento linear de eventos, mas sete ciclos climáticos contando e recontando a história do julgamento vindouro de Deus a partir de um ângulo, e então de outro.
O livro não pode ser entendido como se seguisse uma ordem diretamente cronológica, do tempo da igreja apostólica até a consumação final de todas as coisas, pois, em meio a isso, é descrito o nascimento de Cristo e a tentativa de assassinato dos poderes do estado satanicamente controlados (Ap 12.1-5).  Como Kenneth Gentry diz, “a estrutura espiral de João permite relances inversos ocasionais e a reconsideração de eventos a partir de ângulos diferentes, em lugar de uma progressão cronológica inexorável”. Novamente seguindo esse pensamento, Rushdoony conclui: “Assim, é evidente que as visões são num sentido repetitivas, visto que cobrem o mesmo terreno, embora novo, no fato de lançar luz adicional sobre o mesmo assunto”. Interessantemente, a epístola de 1 João, também escrita pelo apóstolo João, usa um ciclo similar de repetição em seu tema principal. Reunindo as duas coisas, temos o seguinte esboço do livro:

AS COISAS QUE VISTE
a. Título e Cabeçalho 1.1-3
b. Saudação 1.4-6.
c. Anúncio Apocalíptico 1.7-8
d. Cristofania Introdutória 1.9-20

AS COISAS QUE SÃO 2-3
I. À Igrja em Éfeso 2.1-7
II. À Igreja em Esmirna 2.8-11
III. À Igreja em Pérgamo 2.12- 17
IV. À Igreja em Tiatira 2.18-29
V. À Igreja em Sardes 3.1-6
VI. À Igreja em Filadélfia 3.7-13
VII. À Igreja em Laodiceia 3.14-22

AS COISAS QUE HÃO DE ACONTECER DEPOIS DESTAS 4-22

Ciclo Um: A Abertura dos SeteSelos 4-7
Ciclo Dois: O Som das SeteTrombetas 8-11
Ciclo Três: Sete PersonagensApocalípticos 12-14
Ciclo Quatro: As Últimas SetePragas 15-16
Ciclo Cinco: Babilônia, a GrandeProstituta 17.1-19.10
Ciclo Seis: Conflito e Triunfo19.11-19.21
Ciclo Sete: O Milênio 20
Conclusão 21-22


As Escolas de Interpretação do Apocalipse.
Existem pelo menos 4 linhas de Interpretação do Apocalipse, as outras se derivam dessas quatro. A maioria das diferentes escolas de interpretação pode ser entendida na forma em que seu método explica o tempo. Os preteristas afirmam que a maior parte do Apocalipse tem sua principal referência no passado. Os futuristas declaram que a maior parte do livro ainda deverá ter cumprimento futuro. Os historicistas estão seguros de que o livro foi cumprido parcialmente no passado, está ainda tendo cumprimento no presente, e somente se cumprirá plenamente no futuro. A escola Idealista rejeita todas essas três escolas. Os idealistas dizem que essas três escolas são por demais específicas ao interpretar os símbolos proféticos. O idealista busca um método de interpretação mais espiritual, filosófico ou poético. 

1ª) Escola do Idealismo
A escola idealista de interpretação julga que o livro de Apocalipse é um desdobrar de princípios em figuras. O propósito do livro de Apocalipse não é falar de eventos específicos a virem. É somente para ensinar verdades espirituais que podem ser aplicadas a todas as situações (ou serem delas derivadas). Contudo, é difícil ver um propósito no livro de Apocalipse se for somente um retrato detalhado de princípios encontrados noutras partes. Se tais princípios já foram ensinados claramente, por que agora se apresentam em forma tão misteriosa?
Implicações do Idealismo
Absoluta coerência é impossível para o Idealismo. O Apocalipse descreve a segunda vinda de Cristo. Se esse for um evento histórico real, por que alguns dos retratos dos eventos do Apocalipse antes disso também são históricos. Então é impossível divorciar qualquer livro de sua ambientação histórica. Isso é duplamente verdadeiro com respeito ao livro do Apocalipse porque é o exemplo máximo de literatura apocalíptica. Todo esse gênero literário trata com história. Não está interessado em abstrações.

2ª) Escola Preterista
O Preterismo é a metodologia mais popular para o exame do Apocalipse entre os eruditos críticos. Essa escola é também conhecida como a contemporânea-histórica. Essa escola inclui estudiosos como Beckwith, Swete, Ramsay, Simcox, Moses Stuart, e F. F. Bruce. Esses escritores entendem que as principais profecias do livro do Apocalipse cumpriram-se na destruição de Jerusalém (em 70 AD) e na queda do Império Romano. A força do Preterismo é que se baseia em considerável montante de verdade. O livro de Apocalipse de João deve ter feito sentido para os seus primeiros leitores, seus contemporâneos. Que pastor escreveria uma carta para o seu rebanho que não tivesse imediato significado para essas ovelhas?
 
Implicações do Preterismo

O principal defeito do Preterismo é que parece deixar a igreja ao longo das eras sem direção específica. Milligan declara:
[...] o livro de Apocalipse apresenta distintamente em sua aparência o fato de que não está confinado ao que o Vidente contemplou imediatamente ao seu redor. Trata de muito do que devia acontecer até o pleno cumprimento da luta da Igreja, a completa conquista de sua vitória, e o integral alcance de seu descanso. A Vinda do Senhor tão freqüentemente referida certamente não se esgotou naquela destruição da política judaica que agora sabemos que devia preceder por muitos séculos o encerramento da Dispensação presente; e os inimigos de Deus descritos continuam a sua oposição à verdade não meramente num ponto determinado e próximo, quando são contidos, mas ao final, quando são derrotados derradeiramente e para sempre. Há uma progressão no livro que é somente detida com o advento final do Juiz de toda a Terra; e nenhum sistema justo de interpretação nos permitirá considerar as diferentes pragas dos Selos, Trombetas, e Taças como simbólicos somente de guerras que o Vidente havia contemplado em seus princípios, e que sabia que terminariam com a destruição de Jerusalém e Roma. Contra a idéia de que São João estava limitado aos acontecimentos de seu próprio tempo o tom e espírito do livro são um contínuo protesto. Nem se pode alegar que ele combine isso com o que se daria por fim, deixando, por razões inexplicadas da parte dele, um longo intervalo de tempo sem notícia. Não há evidência de um intervalo. Os relâmpagos e trovões se desencadeiam em sucessão próxima desde o princípio até o fim do livro. Julgado mesmo por seu caráter geral, o Apocalipse não pode ser interpretado segundo esse sistema moderno. 

O Preterismo Ignora o Futuro

Deixamos o Preterismo com as palavras do profeta João ecoando em nossos pensamentos: “Sobre para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas”. Apocalipse 4:1. Tenney escreveu:
A fraqueza desse ponto de vista (o Preterismo) é sua limitação terminal. Obviamente os juízos preditos não se cumpriram, e conquanto figurativamente se possa interpretar a conquista do mundo por Cristo e o retrato de um juízo final, nada disso ainda apareceu. O preterista tem uma interpetação que possui um firme pedestal, mas que não dispõe de uma escultura acabada para nela ser firmada. 

3ª) A Escola do Futurismo (Gramatical História)

O futurismo acredita que o livro de Apocalipse, com a possível exceção dos três primeiros capítulos, aplica-se totalmente ao futuro. O Futurismo aponta à tribulação final da igreja e é portanto especialmente dirigido aos crentes nos primeiros últimos anos da história. Digo “especialmente” porque nenhum futurista nega o valor presente das promessas e princípios achados na profecia. Diz Todd sobre o Apocalipse: “Não devemos, procurar o cumprimento de suas predições nem nas primeiras perseguições e heresias da igreja nem na longa série de séculos desde a primeira pregação do Evangelho até agora, mas nos eventos que devem imediatamente preceder, acompanhar e seguir-se ao Segundo Advento de nosso Senhor e Salvador”.

Futurismo, Literalismo e Gramática

Os futuristas tendem a ser literalistas. Seguem a regra de que “todas as declarações proféticas devem ser interpretadas literalmente a menos que evidência contextual, ou o bom senso, tornem esse procedimento impossível”. Por isso a linha futurista também é chamada de Gramatical Histórica, pois respeita o contexto apresentado na profecia, bem como regras de gramática e história.
Literalidade é provada pelo Cumprimento Literal – Exemplo: Os 3.4-5, “Porque os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, e sem príncipe, e sem sacrifício, e sem estátua, e sem éfode ou terafim. Depois tornarão os filhos de Israel, e buscarão ao SENHOR seu Deus, e a Davi, seu rei; e temerão ao SENHOR, e à sua bondade, no fim dos dias.” Da maneira que Deus cumpriu literalmente a maior parte das Suas profecias é uma indicação importante para nós sabermos como serão cumpridas as profecias que ainda restam ser cumpridas no futuro.
Considerando as numerosas profecias detalhadas sobre a primeira vinda de Cristo – a cidade, a mãe, quem será o seu precursor, Seu ministério, os resultados deste ministério, a Sua traição por um amigo, o preço exato dessa traição, a maneira da Sua morte, do Seu sepultamento, a ressurreição, e a Sua ascensão. De maneira literal foram cumpridas. Portanto, o cumprimento das profecias sobre a Sua segunda vinda não devem ser menos literais. O citado Oséias 3.4-5 é um exemplo disso. Se a primeira parte desta profecia já foi cumprida literalmente, como poderemos esperar menos literalidade na última parte dela? O cumprimento literal da profecia no versículo quatro justifica a interpretação literal da profecia no versículo cinco.
Frequentemente as Escrituras proféticas têm cumprimento imediato como também futuro. A declaração do anjo em Lucas 1.31-33 exemplifica isso. Diz: “E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. 32 Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, Seu pai; 33 E reinará eternamente na casa de Jacó, e o Seu reino não terá fim.” Os fatos mencionados neste texto sobre o nascimento de Jesus Cristo foram literalmente verdadeiros (cumpridos comprovadamente), mas não serão universalmente verdadeiros (ou comprovadamente cumpridos) até a segunda vinda quando Ele vem para reinar no trono de Davi. Portanto, a lei da dupla referencia ou o Cumprimento em Duas Fazes tem que ser reconhecida em algumas porções das Escrituras quando tiver um cumprimento parcial primeiramente, seguido por um cumprimento completo depois.
Múltiplas Profecias em Poucos Versículos – Muitas profecias no Velho Testamento ignoram a era entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. Como se avistaram dois acontecimentos – neste caso a primeira e segunda vinda de Cristo – sem perceber que teria um espaço de tempo entre elas. Se olharmos as cordilheiras que passam pelo Brasil, veremos os picos das montanhas perto um do outro com os das mais distantes sem ver os vales entre eles. Assim foi com os profetas do Velho Testamento. Viram a primeira vinda e a segunda vinda de Cristo sem perceber a era da igreja. Portanto, o fato que dois eventos estejam profetizados um após o outro não pede o cumprimento sucessivo e imediato dos dois. Exemplo: Mq 5.2-4, “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Portanto os entregará até ao tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. E ele permanecerá, e apascentará ao povo na força do SENHOR, na excelência do nome do SENHOR seu Deus; e eles permanecerão, porque agora será engrandecido até aos fins da terra.” Jesus nasceu em Belém, mas o governo literal e a permanência literal de Cristo entre o Seu povo quando Ele literalmente apascentará o Seu povo, ainda não aconteceu. Portanto podem existir múltiplas profecias em poucos versículos.
A época da Igreja Neo-testamentária era um Mistério para os do Velho Testamento - I Pe 1.11, “Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir.” A era da igreja neotestamentária era comumente oculta aos profetas do Velho Testamento. O foco da maioria das suas profecias aponta a apostasia, restauração e futura glória de Israel somente. A instituição do ajuntamento neotestamentário, seu crescimento e a sua comissão eram vedados aos seus entendimentos. Mas Deus usou o apóstolo Paulo pelo qual abriu esse mistério como diz: Ef 3.9-11 “E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor”. Reconhecendo esse fato entendemos que a igreja do Novo Testamento não é uma continuação do Templo, ou da nação de Israel. São entidades distintas e separadas. O fato que muitas promessas à nação de Israel podem ser aplicadas aos crentes do Novo Testamento não descarta o cumprimento literal delas para com Israel ainda. Não há razão Bíblica de transferir ou cancelar as promessas das profecias feitas à Israel somente por que algumas promessas podem ser aplicadas aos crentes do Novo Testamento. A igreja neo-testamentária era um mistério não descoberto aos profetas do Velho Testamento.
A Igreja Sobre a Terra - Uma posição básica assumida por futuristas dispensacionalistas é de que após Apocalipse 4:1 a igreja nunca é vista sobre a Terra. Os capítulos 6 ao 19 somente retratam um remanescente judaico, e aqueles que serão salvos na grande tribulação, que não subiram no arrebatamento da igreja.
O livro de Apocalipse representa a igreja no céu misticamente. Isto se dá por causa da união da igreja com o Seu assunto Senhor. Outros versos do Novo Testamento encaram a igreja nessa forma mística (Ef. 2:6; Fil. 3:20, Col. 3:1). Os membros da igreja que originalmente leram esses versos de que a igreja estava no céu o fizeram enquanto fisicamente sobre a Terra! O livro inteiro é dirigido aos servos de Cristo, ou seja, às igrejas cristãs. Aqueles que foram mortos por confessarem o evangelho de Cristo são mencionados sob o quinto selo. Apocalipse 8 fala das orações de todos os santos.

4ª) A Escola do Historismo

O historicismo é o método de interpretação da profecia que declara que o livro do Apocalipse é um histórico profético da igreja e do mundo, desde o tempo de João até o segundo advento. As predições dadas no livro do Apocalipse não são somente movimentos gerais na história, declara o Historicismo. Mesmo eventos específicos são preditos. Isso inclui a identificação de datas reais do calendário.
Historicistas destacados incluem Begel, Mede, Newton, Elliott, e Guinness.
Hoje, somente um pequeno número de eruditos protestantes são conhecidos como historicistas. Esses eruditos se acham somente em grupos isolados. Os mais conhecidos dentre tais grupos são os membros da denominação adventista.

Três Problemas do Historicismo

M.C. Tenney fez sua crítica ao historicismo: Há várias objeções a uma interpretação do Apocalipse segundo um ponto de vista completamente historicista.
Primeiramente, a exata identificação dos eventos da história com sucessivos símbolos nunca foi finalmente empreendida, mesmo após os acontecimentos terem-se dado. É razoável supor que durante o lapso de 1.900 anos pelo menos uma porção das predições teriam tido cumprimento. Se tivessem de ter algum valor para o leitor do Apocalipse como uma indicação de seu lugar dentro do processo histórico, deviam ser identificáveis com certeza. Tal, contudo, parece não ser o caso. Os pontos de interpretação sobre o qual a maioria dos intérpretes doutrinários concordam podem ser interpretados como tendências tanto quanto eventos. Uma vez que as tendências podem ser evidentes em qualquer período da história, tais profecias não apontam a nenhuma época.
Em segundo lugar, os intérpretes históricos não têm explicado satisfatoriamente porque uma profecia geral deva confinar-se às fortunas do Império Romano ocidental. A interpretação histórica destaca principalmente o desenvolvimento da igreja na Europa ocidental; pouca atenção dá ao Oriente. Contudo, nos primeiros séculos da era cristã a igreja aumentou tremendamente no Oriente, e difundiu-se até alcançar a Índia e China, embora não tenha conseguido uma base permanente em todas as regiões desses países. Se um método contínuo-histórico deva ser seguido, deve ter um escopo mais amplo.
Em terceiro lugar, se o método contínuo-histórico for válido, suas predições teriam sido suficientemente claras desde o princípio para dar ao leitor alguma pista do que significavam. Se o fogo e a saraiva da primeira trombeta (8:7) realmente se referiam às invasões , é difícil ver como qualquer cristão do primeiro século poderia ter entendido a predição de tal modo a ter qualquer valor de sua parte para sua reflexão. 

O Historicismo Não Tem Aplicação aos Primitivos Cristãos

Nota-se também a queixa de Hendriksen contra um livro historicista de orientação de esquerda: Sobre minha mesa jaz um comentário recentemente publicado sobre o Apocalipse. É um livro muito “interessante”. Considera o Apocalipse como um tipo de história escrita em antecipação. Descobre-se nesse último livro da Bíblia copiosas e detalhadas referências a Napoleão, às guerras balcânicas, à grande guerra européia de 1914-1918, ao ex-imperador germânico Guilherme, Hitler, e Mussolini, etc.- Então (grifo) essas explicações e coisas desse tipo devem ser descartadas imediatamente. . . . Diga-me, caro leitor, que benefício os cristãos severamente perseguidos e sofredores do tempo de João obteriam de predições específicas e detalhadas concernentes às condições européias que prevaleceriam cerca de dois mil anos depois?

O Historicismo Ignora os Ciclos da História

Os filósofos da escola historicista percebem que a história é cíclica. (O cristão entende que esses ciclos têm lugar dentro da linha reta da história que se estende da Criação à Segunda Vinda). Em todas as eras, Deus e Satanás seguem princípios apropriados ao caráter que possuem. É por tal razão que a história se “repete”, conquanto em diferentes graus de desenvolvimento. A luta entre o bem e o mal produz situações semelhantes durante diferentes épocas da história. Se o historicista estrito devesse reconhecer essa natureza obviamente cíclica da história, deixaria de ser um historicista estrito.Outra objeção ao historicismo é que requer muito conhecimento extra-bíblico. O estudante da Bíblia deve depender de historiados como se  Moisés, os profetas, os evangelhos e as epístolas não seriam suficientes?

O Historicismo Ignora a Iminência

Os historicistas criam cuidadosos esquemas ou gráficos de cálculos de longo prazo. Mas esses esquemas negam a clara evidência do Novo Testamento de que nunca foi ideal de Deus que muitos séculos dividissem os dois adventos de Cristo. De uma forma ou de outra, o pensamento de que os vários eventos preditos no livro de Apocalipse devessem ter lugar num futuro não distante é especificamente declarado sete vezes -”coisas que em breve devem acontecer” (caps. 1:1; 22:6), “o tempo está próximo” (cap. 1:3), e “Venho sem demora” (cap. 3:11; 22:7; 12, 29). Referências indiretas à mesma idéia aparecem nos caps. 6:11; 12:2; 17:10. A resposta pessoal de João a essas declarações do breve cumprimento dos propósitos divinos foi, “Vem, Senhor Jesus!” (cap. 22:20).

CONCLUSÃO

Levando em conta que o livro tenha sido escrito no período do reinado de Domiciano (81-96 d.c.) e que, tanto antes quanto depois, a perseguição era marcantes para os cristãos, onde Roma governava o mundo e seus imperadores eram impostos como deuses (os quais exigiam adorações dos homens) vale muito considerar este contexto histórico para uma melhor compreensão do livro como um todo. Uma outra observação importante é que a linguagem apocalíptica judaica se torna difícil para nós no ocidente, porém sua simbologia contém mais de 400 alusões ao VT. Isto para os cristãos desta época era comum e mais fácil de interpretar.
Portanto, é um fato considerado entre os interpretes do livro do apocalipse que o mesmo foi escrito para encorajar os perseguidos e alertar os desviados e frios na fé para que se voltem e se firmem em Cristo, pois a vitória final era garantida para os que perseverassem até ao fim. Por isso é correto afirmar que havia um recado imediato para seus primeiros destinatários – as sete igrejas da Ásia menor – a qual era uma mensagem totalmente contextualizada ao que estes cristãos vivenciavam.
            Então, analisadas as quatro escolas de interpretação do apocalipse mais conhecidas, não poderei aceitar a ESCOLA PRETERISTA (apesar da ligação histórica com as sete igrejas) uma vez que o elemento profético é muito forte no livro. A ESCOLA IDEALISTA tem a vantagem de focalizar as verdades espirituais e morais do livro, mas também é difícil de ser aceita uma vez que o simbolismo e o elemento profético de fatos futuros são fortemente destacados. Quanto a ESCOLA HISTORICISTA, apesar de fazer muitos adeptos, porém deve-se considerar que o livro tem a intenção de encorajar os seus primeiros leitores, então, conhecer os eventos históricos (desta forma como colocam) parece-me incoerente.   
Já a FUTURISTA considera elementos simbólicos, proféticos e históricos do livro, alegando que os três primeiros capítulos tem a ver com o primeiro século e os demais capítulos estão ligados a eventos próximos a volta de Cristo. Dentro desta visão estão os pré-milenistas, pós-milenistas e amilenistas. Quanto a estas três posições fico ainda na pesquisa, pois abrangem muitos assuntos na discussão que não dar para frisar neste trabalho especificamente.
Minha conclusão após estas considerações finais foi declarar, de primeira mão, que o propósito central do livro é a pessoa de Jesus á medida em que Ele revela o futuro triunfante. Neste caso não seria predizer em detalhes os eventos humanos, mas mostrar as tendências gerais da história da humanidade e sua consumação na volta do grande rei e mestre que disse: “venho breve”. Acredito que a visão do trono divino do inicio ao fim do livro demonstra aos leitores a autoridade soberana do Deus dos cristãos sobre os reinos do mundo, sobre o mal e o destino dos homens. Logo, o otimismo do livro apresentando o triunfo do bem, do Cristo e da sua igreja não quer dizer que todos os homens se converteram, contudo fica claro que a maioria não terá se arrependido e se rebelarão contra o Criador e seu Cristo ( 18.1-5; 20.7-10).
Por isto afirmo que o apocalipse é, em sua essência, um apelo para cada um de nós que estejamos no meio daqueles que guardam a fé e os mandamentos do Salvador almejando participar de SUA VITÓRIA FINAL.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

O Esboço do Livro Apocalipse - Ralph E. Bass, Jr.
O. Palmer Robertson, O Israel de Deus (São Paulo: Editora Vida, 2005), p. 158.
C. Marvin Pate (editor), As Interpretações de Apocalipse, págs. 39-40.
Kistemaker, Simon. Comentário do NT – Apocalipse. Cultura Cristã. São Paulo. 2004.
Costa, Hermisten Maia Pereira. A literatura apocalíptica judaica. Casa editora presbiteriana. São Paulo. 1992.
R. C. Sproul. Os Últimos dias segundo Jesus. Cultura Cristã. São Paulo. 2002.
Shedd, Russel P. Escatologia do Novo testamento. Vida nova. São Paulo. 2006.
As interpretações do Apocalipse. C. Malvin Pate (org.) – Victor Deakins (tradutor). Ed. Vida. São Paulo. 2003.


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