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sábado, 4 de fevereiro de 2012

evangelismo através da música



SEMINÁRIO TEOLÓGICO DA MISSÃO JUVEP

    

GILDELANIO DA SILVA


 

ASSUNTO:

DESEVANGELIZANDO ATRAVÉS DA MÚSICA


  

Trabalho para obtenção de nota na matéria de música do curso de Bacharel em Teologia lecionada pela professora Josimere Araújo.
        
   
JOÃO PESSOA – PB
JUNHO - 2009




 DESEVANGELIZANDO ATRAVÉS DA MÚSICA


INTRODUÇÃO

Com este trabalho não tenho a intenção de atacar nenhuma igreja, ou grupo musical, ou cantor ou estilo algum da área, mas pretendo despertar a reflexão sobre a força da música e a importância da evangelização autêntica nos dias de hoje, todavia, quero apresentar a simples problemática: Será que as músicas “evangélicas” de hoje estão evangelizando aos ouvintes realmente? Ou será que as músicas cantadas nas igrejas modernas estão desevangelizando as pessoas?
O trabalho será dividido em três etapas. A primeira sobre a evangelização propriamente dita, a segunda sobre a música na igreja e seus efeitos e a terceira parte aborda o tema geral: evangelizando ou desevangelizando?


  1. A EVANGELIZAÇÃO PROPRIAMENTE DITA

È do conhecimento de todos que a palavra evangelho é de origem grega e significa boas novas ou boa notícia. Evangelho é o nome dado aos quatro primeiros livros do Novo Testamento, mas também é chamado de o Evangelho da graça (At. 20.24), Evangelho do reino (Mt. 4.23), Evangelho de Cristo (Rm. 1.16), Evangelho da Paz (Ef. 6.15), Evangelho da Salvação (Ef. 1.13), Glorioso Evangelho (2 Co. 4.4) e Evangelho eterno (Ap. 14.6). Porém, o evangelho barato e fácil que muitos estão pregando atualmente compromete todos estes atributos citados acima.
Não existe o evangelho do músico, do teatro, de rua, do show, do templo, dos jovens, das crianças, dos idosos e de Deus. Nada disso! Evangelho é Evangelho! Ou se prega ou não se prega. Ou se vive ou não se vive. Já ouvi muitos comentários de pessoas que querem atrair um público alvo para a igreja sem usar o evangelho de Cristo como proposta. Daí, ao invés de evangelizar as pessoas, muitos estão, igrejando as pessoas. A diferença é que muitos estão sendo atraídos para a igreja, mas não para Cristo. Estão na igreja, porém não estão no Reino. Entraram no “evangelho”, todavia o Evangelho não entrou neles. É claro que não me refiro a todos. Tem alguns que nasceram de novo realmente, contudo é uma menoria.
O autor do livro Roubadores de Corações, Tomaz de Aquino, escreve: “Presenciamos ambivalências como a de Pedro que disse a Jesus “morrerei por ti”, mas logo em seguida afirmava, em um grupo, “não o conheço”. Realmente podemos encontrar variedades de crentes de acordo com a variedade de “evangelhos” modernos que se tem pregado nas “modernas igrejas” denominadas cristãs. Pessoas como Ananias e Safira, Herodes, o jovem rico e Saul, que não souberam valorizar os tesouros de Cristo e trocaram por vãos terrestres esplendores.
Evangelismo, de acordo com Dr.Thomas Wade Akins, descrito em seu livro Evangelismo pioneiro, “é a reunião de princípios, métodos e ferramentas para prática da evangelização e da proclamação das boas-novas de Cristo”. Gosto deste conceito porque inclui a palavra princípio e aqui está o detalhe. Muitos tem se dedicado somente a métodos e ferramentas  abandonando os princípios do Evangelho que resulta em crentes nominais e descomprometidos com o evangelho santo. A comunicação de uma mensagem religiosa, por qualquer meio, se não tiver o evangelho autêntico não produzirá fé, nem arrependimento, nem nova criatura. (Rm. 10.17, At. 3.19; 2Co. 5.17). Se uma música, em qualquer ritmo, estilo ou voz, um teatro ou um cartaz, um clipe ou filme, se neles houver um evangelho autêntico, sem dúvidas irão gerar filhos para o Reino de Deus. Tenho visto muitos corromperem a mensagem de Cristo dizendo está contextualizando o evangelho, mas contextualizar e corromper, denegrir e manipular, são palavras extremamente antagônicas.
Pr. Adjovânio da Silva Lima diz em seu livro Evangelizando através do Relacionamento: “Não devemos exigir que as pessoas nos ouçam, mas devemos viver de tal maneira que elas desejem  nos ouvir”. Aqui está o segredo! Não temos que rebaixar o evangelho ao nível do pecador, porém devemos convidar os pecadores a humilhar-se perante as Sagradas Escrituras através de um viver santo. Faço minhas as palavras de um cartaz que li a pouco tempo: Não consigo ouvir o que você fala porque o que você faz fala mais alto.
Os apóstolos aprenderam que evangelizar é fazer discípulos para Cristo, e Paulo entendeu bem claro isso, quando falava a expressão: “Até que Cristo seja formado em vós” (Gl. 4.19; Cl. 1.27). Eu acredito que a evangelização propriamente dita é essa. Mas será que os métodos evangelísticos de hoje possui o conteúdo necessário para transformar um pecador em um discípulo de Cristo? Se a música atualmente é o método mais utilizado para evangelizar, será que as músicas evangélicas são genuinamente evangélicas ao ponto de formar Cristo nos ouvintes? Ou iremos nos satisfazer em igrejar as pessoas ou simplesmente contentar-nos com que ouçam as músicas e comprem um CD ou DVD dos nossos?
Não devemos cantar o que contrasta a nossa vida. Isto soa falsamente. Sobre esta parte musical da evangelização falaremos nos próximos pontos deste trabalho.

"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz." (1 Pedro 2:9)
"Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus" (Mateus 10:33)
"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus." (Mateus 7:21)

A MÚSICA E SEUS EFEITOS NA IGREJA


“A música é um poderoso recurso para inúmeras utilidades. Serve tanto para aproximar da pureza de DEUS quanto para o sensualismo mundano; para ensinar preciosidades como para aviltar; para elevar culturalmente como para rebaixar o comportamento moral, para separar do mundo e aproximar de DEUS como para associação com o mundanismo, para louvar a DEUS como para homenagear a satanás. Tudo na vida que se faz com música não é igual ao que se faz sem ela. Sempre há algum tipo de propulsão havendo música. Poderosa, influencia a nossa mente, é forte recurso para a formação de princípios e hábitos de vida, seja para o bem, seja para o mal. A música jamais é neutra, ou é útil para elevar nossos referenciais de vida, ou para rebaixá-los”. (Prof. Sikberto R. Marks)
“Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa,
 fazei tudo para glória de Deus." (1 Co. 10.31)
Quando penso em música na igreja me vem logo a preocupação com as opiniões adversas. Existe música santa e profana? Existe música certa e errada? Músicas que imitam o céu e que imitam o mundo? Eu pergunto: Como poderei imitar o céu sendo que ainda não estive lá?
No entanto existem evidências bíblicas claras sobre a verdadeira adoração, que deve ser: Espiritual (Jo. 4:24), Inteligente (I Co. 14:15), Sincera (Cl. 3:23-24), Reverente (Sl. 95:6), etc.
Acredito que há uma tremenda confusão na igreja referente ao significado de cantar, louvar e adorar? Quantos não recusam a oportunidade de pegar um microfone e cantar um hino na igreja porque acha que não tem o “dom de louvar”, referindo-se ao cantar. Na verdade louvar e cantar não são sinônimos. Podemos louvar e adorar a Deus de vários modos e com o próprio estilo de vida, mas cantar, não é toda música que glorifica e exalta a Deus.
Realmente existem barreiras religiosas dentro da música. No entanto não são barreiras denominacionais, mas de princípios. Hinos que se adequem aos nossos princípios de adoração, podem ser adotados, independente do credo religioso de seus compositores. Sem esquecer de alguns textos tão relevantes como:
"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai." (Fl. 4:8)
“Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo”. (1 Pe. 1.14-16)
“Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” (1 Co. 10.23)
"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo; O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo Seu especial, zeloso de boas obras." (Tito 2:13-14)

            Não é fácil encontrar um músico evangélico ou grupo que atenda com suas músicas e estratégias estas indicações bíblicas em destaque acima: “Pensamento bíblico, não conformados com as vãs concupiscências de antes, santo procedimento, atitudes e conteúdos edificantes e zelosos de boas obras”. Portanto, pareceu-me necessário destacar aqui alguns conceitos e comentários de profissionais da música e apresentar o que é significado musical, efeitos da musica e partir para a musica apropriada para a igreja (referindo-me a templo).

A) O Significado Musical
A música ocidental é composta de 12 notas, uma dúzia ou mais de acordes, consonantes e dissonantes, e uma variedade de instrumentos musicais que somados a vozes humanas formam a paleta musical com o qual o compositor trabalha. Tudo que se fez de música até hoje foi e é uma combinação de timbres, notas, acordes, distribuídos em um período de tempo que é o ritmo. O compositor atua como um pintor que utiliza as tintas de diversas cores e as pincela numa tela. Diferentemente da pintura em que a combinação de cores e riscos resulta numa imagem de algo já existente ou numa imagem nova sem significado.  “As notas que escrevemos nossas composições, são produtos humanos. Ficam velhas, caem em desuso também. O que vale é a mensagem que tentamos comunicar, pois a música como todas as coisas são passageiras, mas o evangelho é eterno” (Flávio Santos).
Qualquer composição tem um objetivo final, por mais abstrata que ela seja. Inspiração musical não é psicografia mediúnica. O compositor é uma pessoa, e como pessoa atribui naturalmente significado a tudo que está criando, e desenvolve a profundidade visando um objetivo. A música é naturalmente abstrata, mas não isenta de significado. Toda composição musical indica um caminho, uma idéia e/ou um estilo de vida.
Existem músicas que são associadas a algum momento, coisa ou pessoa desde quando as ouvimos pela primeira vez e, mesmo que as letras digam diferente ou os cantores aponte para outras intenções, o que está registrado em nossa memória musical é o que prenderá nossa atenção independentemente da letra da música. Lembrando que uma música pode está associada a mim num sentido e para outra pessoa com outro sentido.
Vou explicar melhor: em São Paulo os caminhões de gás tocam uma música de Beethoven chamada "Pour Elise", Cada vez que as pessoas de São Paulo escutam a musiquinha o que vem a mente é o botijão de gás. Mas para as pessoas da época de Beethoven e para as pessoas de outras cidades esta música tinha e tem outro significado. Acontece que o mundo é muito grande e as pessoas percebem o mundo de forma diferente devido a cultura, educação, vivência, família, etc. Sendo assim, uma nota, um instrumento ou ritmo tem um significado diferente para cada pessoa, de acordo com a sua experiência de vida.
Por outro lado, quem compõe música ou grava algum CD em nossos dias, geralmente tem seu público alvo, seu próprio estilo musical e, principalmente, deve está apresentando aquilo que crer e vive. O ponto de partida está nisto: Nem sempre o que o cantor expressa em suas músicas condiz com sua vida, por se tratar de uma música de composição de outro. Talvez até os “fãs” do cantor ou cantora não saibam nem o que estão declarando em determinados versos da música. Será que todos sabem a essência das frases: “largo tudo para ti servir”, “abro mão dos meus sonhos”, “seguirei ao meu bom Mestre e onde me mandar irei”?
É bom também lembrar que a música tem o poder de formar opiniões e moldar a filosofia de vida dos ouvintes. Pode trazer efeitos surpreendentes na vida e para saúde das pessoas. Agora iremos tratar disso no próximo ponto.

B) Efeitos da Musica

Howard Hanson, famoso compositor e ex-diretor da Escola de Música Eastman em Rochester, Nova Iorque, disse: "A música é composta por muitos ingredientes e, de acordo com a proporção destes componentes, pode ser calmante ou estimulante, enobrecedora ou vulgarizante, filosófica ou orgiástica. Ela tem poder tanto para o mal como para o bem". E também alegou: "A música quando não abusiva, é uma grande benção; porém é uma terrível maldição quando mal usada".
A musicoterapia obtém os mesmos resultados com as mesmas músicas para pacientes com delírios, surtos psicóticos ou maníacos diferentes, independente do seu grau de consciência. Pessoas com distúrbios motores reagem também de maneira igual a tratamento musical, independente de sua história regressa.
A música é muito parecida com o álcool e as drogas. Ela pode ser muito enganadora e destrutiva quando mal empregada e pode distorcer as emoções, o raciocínio, o julgamento, a perspectiva e o comportamento das pessoas. Por exemplo: O som alto, sustentado, pulsante e repetitivo prejudica não apenas o ouvido, mas também todo o corpo humano - especialmente as freqüências abaixo de 100 Hertz e níveis acima de 110 decibéis. Quanto mais intensas e unidirecionais forem as ondas sonoras, maiores serão os danos causados às células e mais substâncias anestésicas nosso organismo liberará para amenizar a dor. Essa é uma das razões por que a música alta é tão apelativa aos jovens nos concertos das bandas musicais; porque eles não apenas a ouvem, mas a SENTEM também e a música alta lhes dá uma sensação agradável. (Artigo Um novo cântico, Paul Proctor)
A música, com ou sem letra, pode ser uma força muito poderosa em nossas vidas. Esta é a razão pela qual os instrumentais sozinhos podem produzir lágrimas nos olhos ou gritos de uma multidão, antes mesmo que uma única palavra seja cantada. Do mesmo modo, outras emoções podem ser facilmente despertadas por melodias e por ritmos sem letra, tendo com resultado alegria, felicidade, entusiasmo, ira, amargura, depressão ou raiva. Dizer que a música sem letra é amoral, é como dizer que a música sem letra não mexe com as emoções, isso é um absurdo.
Parece-me que Paul Proctor tem razão quando diz: “Combinar mensagens gentis, amáveis e evangélicas com música alta, agressiva, raivosa ou sugestiva, somente confunde o ouvinte, no sentido de justificar e aceitar quaisquer sentimentos, emoções, pensamentos e atitudes que possam surgir”.
            Sobre o Rock Metal na igreja o mesmo autor diz: “A música em um volume alto é tão insalubre que, com o tempo, pode prejudicar seu sistema imunológico e danificar permanentemente o desempenho das glândulas supra-renais e causar mais tarde diversos problemas físicos e emocionais na vida - desde depressão até fadiga e alergias, pressão alta, dor nas juntas, fraqueza muscular, constipação e muito mais - ALÉM de deixar surdo. Sendo esse o caso, você consideraria que o rock cristão, executado domingo na igreja a 110 decibéis, como sendo bom ou mau? Algo assim torna o assunto da letra cristã irrelevante, não é? Procuramos adorar ao Ancião de Dias com nossa música ou tentamos estimular, gratificar e entreter a nós mesmos, usando o que quer que traga o maior número de pessoas e os aplausos mais ruidosos? A nossa música exalta a um Deus que não é dado à celebridade, modas, apetites ou devaneios, ou serve para exaltar alguma outra coisa ou alguma outra pessoa? Nosso cântico louva a um Servo Sofredor, a um Cristo crucificado, ou uma cultura que contemporiza com a lascívia e a vaidade? A nossa oferta é a Deus ou aos homens?”
            Paul se refere ao Rock quando fala de música barulhenta, mas acredito que este efeito possa acontecer com qualquer outro estilo musical que esteja no mesmo nível de freqüência e volume. É terrível! Eu não sou músico e nem tenho apreço ou desprezo a nenhum estilo, todavia minha preocupação é expressar minha sincera adoração a Deus quando estou no templo ou em qualquer outro lugar além do templo. Sei que isto é pessoal. Agora, referindo a juventude e ao público “gospel” de nossa época o fato vira discursão teológica e leva-me a reagir contra ou a favor pelo efeito causado. Talvez o detalhe de sair do pessoal para o ministerial seja o ponto principal onde alguns tem pecado e levado outros a pecarem.
            “Lutero organizou a música para os jovens do seu tempo de modo a guiá-los para longe da atração da música mundana... Lutero explicou por que ele mudou os arranjos musicais de suas canções: 'Estas canções foram organizadas em quatro partes, pela única razão que eu desejei atrair a juventude (que deveria e deve ser treinada em música e em outras belas artes) para longe das canções de amor e obras carnais, dando-lhes em lugar disto algo saudável que pudessem aprender, de forma que possam adentrar com prazer ao que é bom, como é próprio à juventude'. À luz destes fatos, qualquer um que use a declaração de Lutero 'Por que o Diabo deveria ter todas as melodias boas? ' para defender o uso da música rock na igreja, tem que saber que esse argumento é condenado claramente pelo que o próprio Lutero disse e fez." (Dr. Samuele Bacchiocchi, O Cristão e a música Rock, pág. 34-36).
            Frente a estes argumentos venho a perguntar:

C) Existe música apropriada para a igreja?


                Eu não defendo estilo musical nenhum e talvez nem me incomode tanto por me adaptar fácil a situações ambientais. Então, nesta parte irei destacar alguns pensamentos extras e replicar minha opinião, se necessário. Quero apresentar alguns pensamentos da Dra. Eurydice V. Osterman descrito em seu artigo Música Cristã, Sagrada ou Secular? :
“Parece que Deus se cala quando o assunto é música, especialmente a música contemporânea, e por esta razão, muitos têm adotado a crença de que estão livres para ouvir ou apresentar a música que se enquadra em seu gosto porque isto é uma "questão pessoal". Em primeiro lugar deve ficar entendido que a controvérsia quanto à música é, na verdade, a conseqüência de um problema mais profundo resultante da ignorância dos princípios bíblicos que regem as questões concernentes à música. Um desses princípios é estabelecer a diferença entre o santo e o profano (Levítico 10:10). A palavra-chave nesse texto é diferença. Deus deseja que aquilo que está a Ele associado seja diferente do mundo, e por este motivo claramente disse, através da Escritura, "retirai-vos do meio deles, separai-vos,... não toqueis em cousas impuras; e eu vos receberei" (II Coríntios 6:17, grifo acrescentado). Aparentemente esse texto sugere de forma enfática que, se desejamos as bênçãos de Deus, devemos não apenas fazer diferença entre o santo e o profano, especialmente em nossa música, mas devemos nos apartar daquilo que Deus não aceita. Ainda para ilustrar o impacto que o tom, estilo e letra têm sobre a música, considere duas palavras-chave: apropriada e associação. O dicionário Webster define apropriado como sendo "separado para um propósito especial", ou algo que é especialmente "adequado, compatível ou ajustado". Obviamente, seria impróprio para um casamento músicas como "Jesus é Melhor", "Let us break Their Bonds Asunder" (do Messias de Handel), ou "Mestre! Tudo é Revolta". Em si as músicas são boas, mas para essa ocasião não são nem adequadas nem compatíveis.
                A associação, por outro lado, é "algo que se associa na memória ou no pensamento com uma coisa ou pessoa que forma um vínculo mental entre sensações, pensamentos ou memórias". Assim, ao serem proferidos nomes como Louis Armstrong, Ella Fitzgerald ou Duke Ellington, a mente automaticamente os associa ao estilo ou gênero específicos de música, chamado jazz. Novamente quando nomes como Bach, Del Delker, ou Rolling Stones são mencionados, há uma associação automática com outros estilos ou gêneros musicais chamados barroco, sacro e rock, respectivamente, sendo que nem o gênero nem a fonte podem ser separados um do outro. O espírito e o estilo da música são também sugestivos do tom e do comportamento que produzem. Por exemplo, se um trio de trompetes for tocar certos acordes em ritmo festivo, o espírito e o estilo dessa música sugerirão majestade e esplendor. Inversamente, se um pianista tocar suavemente uma progressão de agrupamentos de acordes sustenidos no registro inferior do teclado, lenta e deliberadamente, o espírito e o estilo do som pode sugerir mistério, tristeza ou mesmo temor. A associação de um som musical pode também ser encontrada na atmosfera criada por um certo ambiente. Por exemplo, substantivos como circo, funerária ou discoteca, todos criam seu próprio tom, atmosfera, resposta comportamental e música que lhes são peculiares”.
             Eu gostei muito da opinião desta doutora em música, porém não sei se ela está querendo defender seu estilo pessoal com seu grande conhecimento na área musical. Talvez eu interpretasse ou aplicaria diferente os textos bíblicos que ela usou para tirar as palavras DIFERENTE E SEPARADO, mas as outras APROPRIADA E ASSOCIAÇÃO, achei-as bem aplicadas e coerentes.
            Rolando de Nassau, em seu antigo Qualidade da Música na Igreja, fala de música cristã e música profana da seguinte forma:
            “Há quem fale e escreva que não existe tal coisa chamada música cristã; existem apenas letras cristãs; qualquer e toda música é aceitável no culto, desde que a letra seja cristã. Quem usa este argumento ignora mais de dois mil anos de história da música sacra. Por outro lado, letras cristãs têm sido aplicadas a músicas profanas; tanto as letras quanto as músicas tornam-se, assim, impróprias e inconvenientes ao culto cristão (O Jornal Batista (OJB), 06 jul 2003). Preservar o estilo musical sagrado é o verdadeiro propósito do culto cristão; usar o estilo profano é idolatria (Amós 5:23). Entretanto, é fato incontrastável: a música é um esforço e um produto do compositor e do executante, que acaba sendo verdadeiro ou falso, íntegro ou iníquo, moral ou imoral, sacro ou profano. O problema é que muitos dirigentes musicais não sabem discernir entre a música sacra e a profana (Levítico 10:10); (Ezequiel 44:23). A música-de-igreja, diferentemente da música-na-igreja, deve adotar "uma concepção estética consentânea com a tradição eclesiástica e o princípio ético" (OJB, 18 jul e 15 ago 1982). De acordo com essa concepção, a genuína música-de-igreja promove a identidade, a integridade, a consonância e a claridade. A mistura de letra religiosa e música profana certamente não contribui para a harmonia espiritual durante o culto divino; com efeito, neste caso, não existe consonância de pensamentos. A música, sendo de má qualidade artística e espiritual (opaca, turva e repetitiva) não possui a qualidade da claridade dos sons. Afinal, o belo é o triunfo do espírito humano, inspirado por Deus, sobre a matéria sonora”
            Não sei se realmente este irmão está certo em seus argumentos. Não sei o que é música profana e música cristã sem considera a letra da música e a intenção de seu uso. Acho que classificar uma música profana sem encontrar textos bíblicos que a defina como profana, para mim torna-se difícil defini-la. Pode ser apenas opinião. Como outros também pode defender o contrário.

Em defesa do uso de qualquer ritmo para a evangelização ou adoração na igreja, um determinado irmão, num debate virtual, escreveu: “Quando se olha o verde não se vê o azul nem o amarelo, mas eles estão lá. Já não ouvimos mais a série harmônica, mas ela está lá e é infinita. Para aqueles que não percebem a diferença entre um dó e um ré a melhor música para pregar as boas novas é um Rap que é toda falada. Coloquem em prática suas teorias. E não percam tempo tentando adivinhar o gosto de Deus ou tentando criar a música santa ou separada do mundo, pois mais cedo ou tarde vocês vão descobrir que é impossível fazer música sem emprestar elementos de outros estilos musicais sejam eles ligados à elite ou ao povão. Enquanto limitarmos a linguagem usada a um estilo musical ultrapassado estaremos andando para trás”.
Quem sabe as duas opiniões não sejam úteis em determinadas ocasiões e propósitos diferentes. Se escolher uma delas e tacha-las como verdade absoluta no campo música pode soar como sectarismo, radicalismo ou até liberalismo.
Encontrei um artigo na web que apresenta três pontos importantes para avaliar ou classificar a a coerência musical, o Esteticismo, A Influência e o Pragmatismo. Vejamos seus significados:

Esteticismo

            Preocupado com a excelência das características técnicas que dão à música seu valor artístico, o esteticismo é um freqüente padrão de comparação, pois geralmente considera-se que a aderência aos valores estéticos garantem a qualidade e a arte necessárias para uma aceitável adoração a Deus.

A Influência da Música
            Outro meio de avaliação muito usado desde o advento da música rock no final da década de 1950 é a abordagem da "influência da música" que focaliza principalmente o impacto dos efeitos psicológicos desta. Embora esta visão cientificamente orientada forneça alguns conceitos importantes, ela também apresenta deficiências.
  • Primeiro, sua ênfase em delinear impactos negativos tende a gerar proibições, em vez de uma orientação positiva.
  • Segundo, pelo fato do conhecimento preciso sobre os efeitos da música no organismo humano ser uma área de pesquisa científica relativamente nova, é difícil encontrar informações elucidativas como, por exemplo, quais aspectos musicais têm impacto negativo. Em geral somente as características musicais extremas (tais como som excessivamente alto e ritmos persistentes) podem ser apontadas como prejudiciais à saúde e conseqüentemente incompatíveis com os ideais e com a adoração cristã.
  • Terceiro, a abordagem psicofisiológica tende a gerar polêmica contra a música popular contemporânea ao invés [de colaborar para] o desenvolvimento de uma filosofia global para a música na igreja.
 Pragmatismo
            Na última metade do século XX outra abordagem para classificar a música se tornou muito popular e foi denominada pragmatismo. O pragmatismo defende qualquer música que "funcione", "alcance", "traga resultados" ou simplesmente faça apelos à congregação ou à audiência - em outras palavras, o efeito prático da música determina a sua validade. O "resultado (fim) justifica o uso de qualquer música (meio) desde que o resultado esperado seja alcançado".
            Alguém pode querer comparar textos bíblicos das visões celestiais dos profetas como padrão para escolher hinos na igreja. Mas será que podemos chegar ao nível dos anjos, arcanjos, querubins e serafins vistos por João no apocalipse ou Isaías e outros profetas?  Penso que para cantar como anjo tem que se tornar anjo e por mais belo que um ser humano cante não passará de ser humano.
Quanto à música velha ou nova, a qualidade não depende da idade, ela é uma virtude intrínseca, que pode estar presente ou não na produção musical de qualquer época. Muitos usam o texto de Davi no Salmo 33.3, “cantai ao Senhor um cântico novo”, para instruir a igreja em abandonar hinos antigos e cantar hinos novos ou novos estilos. Eu não acredito que o texto queira dizer isso. Será que Davi mudou a forma de cantar, o estilo ou conteúdo de seus hinos poderosos? Se não, por que ele iria orientar o que não fez? Se sim, gostaria de saber onde está a base para isso.

Eu acredito que a linha teológica da igreja influi muito na escolha e na classificação musical para a liturgia no templo tanto para instruir aos membros como regimento doutrinário, e também contribui muito o conhecimento técnico musical. Mas penso que estes três pontos abordados (o Esteticismo, A Influência e o Pragmatismo) podem ajudar a selecionar algumas músicas para uma igreja ou denominação específica, porém para estabelecer um padrão geral e nacional não é possível, pois as idéias e bases teológicas interdenominacionais são bem divergentes no Brasil. Daí se tem a muralha religiosa maior que as muralhas de Jericó e de Berlim.
           
            Todavia, com uma consciência de apropriação e associação musical, com um conhecimento de esteticismo, Influência e pragmatismo musical, como também um bom conhecimento bíblico teológico, a igreja cristã terá recursos suficientes para atingir sua dupla missão: Glorificar a Deus e alcançar os perdidos.
Sem esquecer do Poderoso Espírito que nos guia. (Sl. 25.4,8,9,12; 32.8;139.10; Is. 40.11; 58.11)


EVANGELIZANDO OU DESEVANGELIZANDO?

            Tendo como princípio da evangelização FORMAR CRISTO NAS PESSOAS E/OU TORNÁ-LAS DISCÍPULAS DE CRISTO EM TEMOR E OBEDIÊNCIA foi que surgiu esta pergunta.
            Sinceramente, diante de tantos escândalos dos considerados “levitas” do Senhor e de outros membros no geral, me parece que a igreja de Jesus Cristo no Brasil não está sendo eficaz na sua missão evangelizadora. Tanta falta de empenho, união, compromisso, obediência, santidade e temor podemos encontrar na maioria, repito, na maioria, das pessoas nas igrejas que estamos chegando ao cume da apostasia e frieza espiritual no Brasil.
            Sei que Deus tem levando homens e mulheres sérias em cada área ministerial do corpo de Cristo, porém prevalecem os maus testemunhos e escândalos, e se alguém for contra este “sistema evangelístico de igrejamento ou igrejação” é porque é radical e ultrapassado, porque tudo isto é normal e geral; e usam os famosos jargões: “Faça a sua parte que eu faço a minha”, “Deus sabe do meu coração”, “Todo mundo erra, não é?”, “Você acredita assim, mas eu não”, “Eu creio que Deus está recebendo e isso é o que vale”, “Acredito que é de Deus este negócio, pois a igreja está abençoada, está cheia”, e por ai vai... Talvez a pergunta mais coerente fosse EVANGELIZANDO OU IGREJANDO? Onde, para mim, igrejar não é evangelizar.
Evangelizar para mim não é convencer as pessoas, por meio de campanhas e correntes, de que carecem vir ao templo para não morrerem espiritualmente e se não vierem, não serão abençoadas por Deus; Evangelizar para mim é CRISTIFICAR AS PESSOAS. Torná-las parecidas com Cristo em fé, amor e obras.
Portanto eu entendo que a expressão musical cristã no Brasil mostra claramente como ela está. Nas letras e ritmos dos mais variados estilos musicais de nossa miscigenada nação cristã em lugar de uma sã doutrina, prevalecem o humanismo, antropocentrismo, psicologia social, terapia, descontração, materialismo como vida abundante e secularismo como modelo de vida. E se isso está nas músicas é porque está nos corações das pessoas que povoam os templos evangélicos por todo o país.

CONCLUSÃO
           
            Talvez alguém lendo este trabalho possa me perguntar se gosto de música de tal cantor ou tal estilo, qual eu condeno e qual eu aprovo, pois minha opinião pessoal não ficou clara no trabalho. Mas não quis expressar minha opinião musical aqui, simplesmente venho expressar minha preocupação com a evangelização dos brasileiros. Porque você acha que as pessoas dão CD´s ou DVD´s de presente a alguém não-evangélica? Acho que é para evangelizar, pensando que aquela mensagem cantada vai atrair os descrentes para a igreja. Mas trazer para igreja é evangelizar? Ver pessoas descrentes cantando hinos evangélicos é realmente conversão?
            Muitos irmãos estão achando que evangelizar é trazer alguém ao culto um dia da semana, principalmente aos domingos (onde deveria ser culto evangelístico). Por quê?
  • Eu estaria errado em dizer que muitos não dominam o PLANO DE SALVAÇÃO BÍBLICO e não sabem o que falar ao conversar com alguém sobre Cristo?
  • Estaria eu equivocado em dizer que a maioria dos cristãos no Brasil sabem centenas de hinos e algumas unidades de versículos bíblicos sobre a salvação em Cristo?
  • Não seria uma maravilhosa obra se estes hinos fossem biblicamente trabalhado para salvação do pecador? Era somente necessário deixar um hino tocando para ver alguns ajoelhar-se perante Deus e entregar-lhe a alma, independente da situação crítica em que estivesse. Mas não é isso que acontece.
Para mim, desevangelizar através da música é somente conduzir pessoas a um ginásio para um show gospel, somente levar alguém a igreja para assistir aos cultos, somente fazer alguém gosta de música, igreja ou cantor gospel, somente aglomerar pessoas no templo, e não conduzi-las para dentro do Reino de Deus e do Genuíno, Universal, Único, Santo, e Invisível Corpo de Cristo.
 Na verdade, o que evangeliza as vidas é o evangelho glorioso, santo, sublime, pacífico, são, gracioso e eterno. Nós adoramos a Deus com a alma e não com a música, e esta, é apenas um veículo que pode conduzir ou interromper o evangelho e a alma chegarem aos seus objetivos finais no trânsito da vida cristã.
Meu pedido a Deus é que aonde este trabalho chegar e for lido sirva como sinalização no trânsito musical das igrejas de meu país.
A Deus seja a glória!

Autoria
Gildelânio da silva, Bayeux, PB.
Graduando em Teologia e Pedagogia
Membro da Igreja Batista Independente Proclamai
           

BIBLIOGRAFIA


  • SITES CONSULTADOS


http://www2.uol.com.br












http://www.verdade-viva.net




http://www.em.org.br





http://www.musicaeadoracao.com.br              

  • LIVROS E APOSTILAS CITADAS

Música na Igreja - Veículo de Adoração e Louvor, apostila publicada pelo Departamento de Música da DSA, 1ª Edição, 1999, págs. 85-92.
Wolfgang, H. M. Stefani, Música Sacra, Cultura e Adoração (Eng. Coelho, SP: Unaspress - Imprensa Universitária Adventista, 2002), págs. 6-16, 203-205.
Akins, Thomas Wade, Evangelismo Pioneiro, Missões Nacionais, Rio de Janeiro, 2002.
Aquno, de Tomaz, Roubadores de Corações, Editora Raboni, São luiz, 2002.
Lima, Adjovânio da Silva, Evangelizando por meio do relacionamento, Editora Batista Independente, Campinas, 2006.
A.R. Buckland, Dicionário Bíblico Universal, Editora Vida, São Paulo, 1999.




2 comentários:

  1. Muito bom esse artigo e vai me ajudar na produção de um capítulo do meu TCC que é a defesa da fé através da música.

    Deus seja louvado por sua vida Gil.

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  2. VOCÊ NOTA A DIFERENÇA QUE HÁ ENTRE AS MÚSICAS CRISTÃS DE 15 ANOS ATRAS? VOCÊ PERCEBE A NECESSIDADE DE UMA REFORMA BÍBLICA NAS COMPOSIÇÕES MUSICAIS DOS "CANTORES GOSPEL" DE NOSSA GERAÇÃO? LEIA ESTE ARTIGO E DIGA SUA OPINIÃO!

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