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segunda-feira, 19 de maio de 2014

AS TRADUÇÕES DA BÍBLIA PARA OUTRAS LÍNGUAS



A CONVENÇÃO BATISTA NACIONAL DO BRASIL E A TRADUÇÃO DA  BÍBLIA


A Tradução, o Tradutor e os Desafios

1.     1. A Tradução da Bíblia no Contexto Brasileiro
Oficialmente é reconhecido  no Brasil a existência de 228 etnias indígenas.
Mas, imagina-se que existem mais de 300 etnias cultural e linguisticamente distintas.
De acordo com o relatório do Departamento de Assuntos Indígenas da Associação de Missões Transculturais Brasileiras (mesmo havendo inda algumas discussões em torno do assunto) existem hoje 181 línguas indígenas no Brasil. Em 54 delas existem programas de análise lingüística e letramento em andamento. Em 31 dessas línguas há trabalhos de tradução em andamento. Das 181 existem apenas 3 línguas com a Bíblia completa traduzida as quais podem ser usadas por 7 etnias. Existem também 32 Novos Testamentos completos traduzidos que podem alcançar 36 etnias visto que o Novo Testamento, na língua Tukano,  pode ser usado por mais 4 outras etnias. Em 23 línguas há apenas porções da Bíblia traduzidas. E, existem atualmente 69 línguas sem a tradução da Bíblia.
Neste cenário brasileiro de tradução da Bíblia diversas igrejas, instituições, juntas, agências e missões estão engajados na realização desta grande e nobre tarefa.  Dentro deste cenário, a Convenção Batista Nacional, através da Junta Administrativa de Missões -JAMI- tem uma participação efetiva na tradução em, pelo menos, 3 línguas e para 7 etnias: Parakanã, Apalaí e Tukano (4 outras etnias).
 2. Os Tradutores
 Há algumas décadas os tradutores da Bíblia em terras brasileiras eram missionários estrangeiros. Hoje já existem algumas dezenas de missionários tradutores brasileiros entre povos indígenas brasileiros.
O missionário tradutor necessita de um treinamento especial em algumas áreas bem específicas: Além de um bom preparo bíblico e teológico, ele precisa receber capacitação nas áreas de lingüística, antropologia, princípios de tradução e educação bilíngue e intercultural.
O trabalho de um tradutor é normalmente lento e árduo. O missionário tradutor que atua junto a povos com línguas ágrafas começa com o estudo da língua, análise lingüística, a fim de chegar à definição de uma ortografia. Simultaneamente ao estudo da língua, ele realiza também uma pesquisa antropológica para compreender os costumes, as crenças, a organização social, a religiosidade e a cosmovisão do povo. Esse estudo lingüístico e antropológico é essencial para o trabalho de tradução da bíblia.
Além do trabalho diretamente ligado à tradução, o missionário tradutor normalmente produz material didático (livros de alfabetização e leitura), atua na alfabetização na língua materna e no treinamento de professores nativos.
3. Desafios e Barreiras que dificultam o trabalho de tradução
 3.1. Visão imediatista da igreja
 Vivemos num mundo imediatista. Vivemos na era do "fast food", de coisas instantâneas. Esta característica da nossa sociedade tem influenciado fortemente a visão da igreja no que diz respeito à obra missionária. Trabalhos missionários considerados bem sucedidos são trabalhos que apresentem grandes resultados num curto espaço de tempo.
A tradução da Bíblia é um trabalho árduo, moroso e com resultados a médio e longo prazo. Dependendo do contexto, da complexidade da língua, das pressões políticas e ideológicas, das dificuldades de acesso ao povo, a tradução de um Novo Testamento pode levar de 10 a 25 anos.  A Bíblia toda, 40 anos. E influenciadas por uma visão imediatista, igrejas não estão dispostas a investir em trabalhos com resultados a longo prazo.
 3.2. O Alto Custo de uma Tradução
 Para líderes e igrejas influenciados por visão de "mercado", os custos de uma tradução é visto como um investimento alto de mais em algo com "pouco" retorno. Os povos indígenas brasileiros são povos minoritários, povos com uma população relativamente reduzida.
O investimento financeiro numa tradução começa desde o treinamento específico do missionário tradutor e vai até o início do processo de distribuição dos exemplares impressos, os quais normalmente chegam às mãos dos nativos sem nenhum custo ou com um baixo custo para os mesmos.
Os custos de uma tradução, em linhas gerais, envolvem o treinamento do missionário tradutor, o sustento pessoal da família missionária no campo, a aquisição de equipamentos e materiais, a locomoção do tradutor até o lugar onde se encontra o povo, ajuda de custo para os tradutores nativos, despesas com impressões, correções e reimpressões de textos corrigidos, consultorias, os custos relacionados à impressão dos exemplares da Bíblia ou Novo Testamento e outros mais.
 3.3. Barreiras Geográficas, Culturais e Linguísticas
 Normalmente, os povos indígenas brasileiros moram em locais de difícil acesso. Alguns moram ao longo das margens de grandes rios. Para chegar até eles  se faz necessário dias de viagens. Outros vivem no meio da selva onde o único acesso se dá através de aviões de pequeno porte. Isso influi diretamente nos custos ligado ao trabalho de tradução.
O missionário tradutor, para adquirir conhecimento cultural e lingüístico, precisa residir onde o povo reside. Isso, na maioria das vezes, exige o abrir mão de determinados confortos, exposição a determinados riscos ligados a viagens e doenças tropicais, isolamento da sociedade majoritária, distanciamento do convívio familiar, estudo árduo e dedicação de tempo na pesquisa da cultura e da língua.
 4. Adaptação do Novo Testamento na língua Tukano
 DEUS TAMBÉM FALA TUKANO
Durante muitos anos, ouvimos falar de Deus em latim e depois em português. Muitas vezes repetíamos as palavras sem nem mesmo compreendê-las. Agora compreendemos de fato que Deus ama  nos ama. Ele Ele não fala somente latim e português. Ele também fala Tukano.
( Depoimento de um Tukano)
“ A fé é pelo  ouvir e o ouvir pela palavra de Deus”. Romanos 10.17
 Um dos trabalhos realizados pela Junta Administrativa de Missões da Convenção Batista Nacional foi a adaptação do Novo Testamento para a língua do povo Tukano, do Alto do Rio Negro, no estado do Amazonas.
O povo Tukano reside na fronteira entre Brasil e Colômbia. Parte de sua população vive na Colômbia e parte vive no Brasil. No final da década de 80, depois de 37 anos de trabalho, duas missionárias da Sociedade Internacional de Lingüística – SIL- concluíram a tradução do Novo Testamento para a língua Tukano na Colômbia.
Em 28 de dezembro de 1996 a JAMI, em parceria com a Missão ALEM, enviou para o noroeste do Amazonas um casal – Missionário Paulo César Nascimento e Luciene -  para desenvolver um trabalho de tradução e educação escolar junto ao povo Tukano. Depois de um tempo estudando a cultura e a língua, o casal começou um trabalho de Adaptação do Novo Testamento traduzido na Colômbia para os Tukanos  que vivem no Brasil.
Alguns motivos tornaram necessária essa adaptação: A ortografia do Tukano da Colômbia era completamente diferente da que estava sendo usada no Brasil; alguns termos e expressões chaves (mundo, parábola, paz, saudação, e outros) usados na tradução da Colômbia não eram usados pelos Tukanos do Brasil; alguns versículos, por uma questão de falta de clareza, precisavam ser completamente mudados.
O processo de adaptação do Novo Testamento na língua Tukano durou cinco anos. Em fevereiro de 2003, após terem sido feitas as correções finais, demos início ao processo de impressão. Num esforço de JAMI-CBN, Sociedade Bíblica do Brasil, Sociedade Internacional de Lingüística, Liga Bíblica e Korean Bible Society,  o Novo Testamento Tukano foi impresso e está disponível nesta língua. Os 2500 exemplares chegaram ao Brasil em outubro de 2004. Em dezembro do mesmo ano fizemos o culto de lançamento e demos início ao longo processo de distribuição dos mesmos.
Durante todo o processo de adaptação houve a participação essencial e indispensável de um indígena o qual veio a se tornar o primeiro convertido, e, posteriormente, o primeiro missionário nativo junto ao seu povo, Edmilson Sarmento.
Paralelamente ao trabalho de adaptação do Novo Testamento, o casal de missionários da JAMI trabalhava com a educação escolar indígena. Além de atuar como professores, o casal produziu material didático na língua do povo: Um livro que fazia a transição da escrita e leitura do português para a língua Tukano. Antes da chegada dos missionários somente o português era ensinado na escola. As crianças ouviam o Tukano no cotidiano, mas na escola estudavam apenas o português. Em 1998, a língua Tukano passou a fazer parte oficialmente do currículo escolar. Além deste livro, o casal, juntamente com os alunos que estavam sendo alfabetizados, produziu mais três livros de leitura com histórias do próprio povo. Posteriormente, foi produzido também um caderno de alfabetização para alunos das séries iniciais.  Graças ao investimento de JAMI e International Ministries (ABC) o material didático foi produzido e entregue ao povo Tukano.
No primeiro semestre de 2009, com a participação de 27 indígenas, o casal fez a gravação em áudio de todo o Novo Testamento Tukano. Consciente de que o povo é de tradição oral e de que boa parte da geração mais antiga não aprenderia mais a ler em sua língua materna. Hoje, o Novo Testamento está disponível na língua Tukano em duas formas: na forma escrita e em áudio.
Para a língua Parakanã já está traduzido o livro de Lucas e em processo de tradução alguns livros do Novo Testamento, fruto do trabalho abnegado  e perseverante de dois missionários. O povo Apalaí já possui o Novo Testamento e está em processo final a tradução do Velho Testamento.
Dar ao povo a Bíblia em sua própria língua é uma das tarefas missionárias da igreja, porque a língua materna é a língua do coração do povo.
O trabalho de evangelização e a tradução da Bíblia  são esforços missionários da igreja pela inclusão dos povos na educação, desenvolvimento humano, justiça social e conhecimento do seu criador. “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. João 8:32

Soli Deo Gloria!
Pr. Paulo Cesar Nunes Nascimento
Teólogo/tradutor

Pr. Ronald S Carvalho
Diretor Executivo JAMI-CBN
Brasil
FONTE:



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