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terça-feira, 2 de junho de 2015

MARCAS DE UMA IGREJA QUE VALE APENA SEGUIR

Marcas de uma Igreja Saudável

porKenneth O. Gangel


CHAMOU MUITA ATENÇÃO no alto da folha de rosto do relatório anual de uma pequena denominação evangélica a conhecida passagem do Profeta Isaias; “Eis que faço uma coisa nova!”(NVI). Nas 459 páginas seguintes descreve-se como Deus está fazendo para que essa comunidade de igrejas esteja esboçando a sua visão para o futuro. Muitas de suas metas recentes têm sido alcançadas, algumas têm sido arquivadas; outras revisadas em função de novos desafios surgem.


Um desses novos desafios é a chamada aos membros para a oração, evangelismo, plantação de igrejas, “educar a todos para que vejam a missão da igreja com os olhos e os corações de Cristo”. Entusiasticamente, consta do relatório, “que essa é oportunidade que Deus está dando à Sua Igreja”.

Assim, nesse relatório, os lideres denominacionais, apresentam aos leitores o conceito de “igrejas saudáveis, sob o prisma da Grande Comissão”, essas definidas como “comunidades de pessoas cristocêntricas caracterizadas por serem impulsionadas por cinco paixões: alcançar o perdido, edificar o salvo, equipar o obreiro, multiplicar o líder, e enviar o vocacionado”. Quem há que possa desprezar essas preocupações? Porém, a declaração logo é reduzida a resquícios elementares estatísticos. Subitamente, parece que “igrejas saudáveis” são medidas não mais pelas cinco paixões, mas como estariam em questão numérica, quadro que choca pela realidade totalmente chocante demonstrada.


Os lideres cristãos, formadores de opinião, devem aceitar o desafio de encarar o fato de que igrejas saudáveis, caso reconhecidas assim em razão do tamanho delas, nunca será a garantia de qualidade espiritual. As igrejas devem enfrentar o futuro na dependência total da soberania de Deus e do poder de Sua Palavra, ao mesmo tempo em que deve tomar cuidado para não se casarem com o espírito desta era e enviuvar-se na próxima. Se a palavra chave é saúde, quais são as marcas de uma igreja saudável?

Este artigo sugere que as medidas das igrejas saudáveis são as suas condições espirituais, os padrões bíblicos de ministério seguidos, os fundamentos teológicos que se embasam, o modelo bíblico de ministério em que se focalizam e os modelos de liderança igualmente bíblicos adotados.


IGREJAS SAUDÁVEIS SÃO MEDIDAS MAIS EM TERMOS ESPIRITUAIS DO QUE NUMÉRICOS


Na verdade, as cinco paixões anotadas anteriormente vão além de simples contagem. Mas que mede melhor a saúde espiritual da igreja? As igrejas devem tomar cuidado para não se prenderem ao pensamento de são saudáveis simplesmente porque estão crescendo numericamente. Os líderes de igreja não devem virar as costas para igrejas pequenas ou estabilizadas. Os crentes de algumas igrejas pequenas podem demonstrar mais maturidade espiritual do que os crentes de algumas igrejas grandes. Klassen e Koessler, no livro deles, No Little Places, (Nada é Pequeno), enfatizam que Deus julga o ministério pela qualidade e não pelo tamanho.

Hoje o termo crescimento da igreja é usado quase exclusivamente para significar crescimento numérico. Se os números sobem, a igreja está crescendo. Se os números permanecem o mesmo, a igreja está experimentando um “planalto” uma palavra que soa estagnação. Se os números estão afundando, a igreja deve estar doente e em situação de declínio. 

Tal pensamento é ultra-simplista. O crescimento numérico pode ocorrer por razões erradas. Por exemplo, durante o ministério do Jesus, muitos da multidão que o seguiam estavam mais interessados nos seus milagres do que em sua mensagem (João 6:26). Todos temos visto igrejas que estão ficando maiores por razões erradas. Tais igrejas estão realmente crescendo? [1]

Vários textos bíblicos afirmam que os líderes não deviam contar números. Claro que ninguém quer uma igreja de estrada de chão num mundo de auto-estradas, mas em nenhum ponto das Escrituras é encontrada qualquer autorização para medir a saúde com base somente em tamanho. Os primeiros capítulos de Atos registram que alguns elevados números de pessoas vieram a Cristo. Entretanto, Lucas jamais mencionou o tamanho de qualquer congregação que Paulo visitou em suas três jornadas missionárias, ninguém tem qualquer idéia do tamanho de qualquer congregação a quem foram escritas as cartas do Novo Testamento.

Logo depois de Lucas escrever que três mil pessoas foram acrescentadas à Igreja no Dia de Pentecostes (Atos 2:41), ele declarou a fórmula para igrejas saudáveis tanto para os seus dias quanto hoje. “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuído o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam o pão de casa em casa, e tomavam suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”. (Atos 2:42–47).

Estes crentes se empenhavam no estudo da Bíblia, oração, comunhão, louvor e adoração. Sem programas especiais, slogans cativantes e novos paradigmas, muitos iam sendo salvos dia a dia. O comportamento dos cristãos atraia a atenção dos não salvos.

Para muitos cristãos a adoração é trabalho perdido. Na vida de alguns crentes pode ser que isso jamais tenha sido de fato cultivado. Parte do problema é que muitos pensam que a adoração é um ato, falhando em perceber que a atitude é muito mais importante porque sem ela o ato fica sem sentido. Além disso, para muita gente a adoração exige um lugar, um edifício ou aposento para que possam “prestar seus cumprimentos” a Deus. Como escrevi em outro lugar, “Adoração como serviço descreve pessoas permitindo Deus trabalhe por intermédio dles a fim de criar uma comunidade espiritual. A adoração como serviço envolve a compreensão e a aplicação dos dons espirituais e a assunção do seu papel no corpo de Cristo (Rom. 12:6–8). A unidade, diversidade e mutualidade da igreja extravasam quando os adoradores servem e os servos adoram”. [2]
Igrejas saudáveis enfatizam a soberania de Deus, que chama o Seu povo para O adorar. A adoração genuína começa com uma consciência da presença e poder de Deus. Igrejas saudáveis praticam o equilíbrio de adoração por meio de música que centraliza a atenção no Trino Deus e com pregação que prendem mentes e corações à Sua Palavra.
Igrejas saudáveis não limitam a adoração a um único compartimento da experiência Cristã. A adoração envolve compromisso total com Deus em todo os aspectos da vida cotidiana.
Central para a vida congregacional saudável é o mandato bíblico para o ministério mútuo (Rom. 12:5) e a participação disposta e jovial de crentes na ministração de um para o outro (1 Pedro. 2:4–9).
Em conhecendo a Jesus Cristo, os crentes se tornam parte do corpo de Cristo, a Igreja. Debaixo do sacerdócio de Jesus a igreja mesmo é um sacerdócio. Em 1 Pedro, o autor se refere a Êxodo 19 em que Moisés estava preste a subir à montanha para receber Lei do Deus. Deus disse para Israel, “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha; e vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa”. (Ex 19:5–6). A nação inteira de Israel, não apenas a tribo de Levi, era para ser sacerdotes de Deus. O plano de deus era que Seu povo o representasse no mundo. Ele seria o canal de Sua revelação e de Seus propósitos de salvação. Essa era a comissão de Deus à Israel. Embora Israel freqüentemente fosse infiel e a comissão era apenas parcialmente cumprida, o propósito de Deus era claro. [3]
A saúde de igreja não começa com evangelismo ou missões – ainda que ambos sejam conseqüentes. A saúde da igreja bíblica começa com uma congregação Cristo-cêntrica, Bíblio-cêntrica determinada a ser na vida pessoal, familiar e corporativa justamente o que Deus quer dela, e não faz nenhuma diferença se o seu número seja quinze, mil e quinhentos ou quinze mil.


IGREJAS SAUDÁVEIS SEGUEM PADRÕES DE MINISTÉRIO QUE SEJAM MAIS BÍBLICOS DO QUE CULTURAIS.


Apesar de o evangelho sempre ter sido trans-cultural, os crentes têm sido freqüentemente tentados a se adaptarem muito dramaticamente ao seu próprio ambiente cultural a ponto de o Cristianismo perder seu caráter distintivo. Isso amiúde surge de motivos sinceros, desejo de contextualizar o evangelho ou ser “relevante para os tempos presentes”. Comumente visto no Renascimento e de novo no Iluminismo, tal comportamento marca muito o evangelicalismo hoje. As igrejas parecem presas a futurismos, movimentos, modas passageiras e slogans.

A teologia às vezes duvidosa do movimento de crescimento da igreja contribuiu bastante para a adoção de uma abordagem centra em resultados pragmáticos — se algo funciona, deve ser certo. MacArthur adverte que “o abandono da igreja contemporânea do Sola Scriptura como o princípio regulador abriu a igreja para alguns dos abusos mais grosseiros, jamais imagináveis — inclusive cultos do tipo honky-tonk [4], a atmosfera de algo semelhante a carnaval, e exibições de danças. Em sentido mais amplo, a mais branda aplicação do princípio regulador deveria ter efeito corretivo sobre tais abusos.” [5]
Em lugar de programas e paradigmas, os crentes do primeiro século eram marcados pela unidade e generosidade. “Da multidão dos que criam, era um só o coração e uma só a alma, e ninguém dizia que coisa alguma das que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Pois não havia entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que vendiam e o depositavam aos pés dos apóstolos. E se repartia a qualquer um que tivesse necessidade”. (Atos 4:32–35, NIV).
Nada que maravilhasse o mundo interessava! Por onde quer que fossem, os crentes pregavam corajosamente a Palavra de Deus e proclamavam o nome de Jesus e Sua ressurreição. As pessoas encontravam significado nessa mensagem porque sabiam da qualidade dos relacionamentos mantidos entre eles quando estavam juntos. “As Epístolas determinam as crentes para serem um uns juntamente com os outros com base em sua nova relação familiar em Cristo. Reiteradas vezes se vêem as instruções: sofram juntos (1 Cor. 12:26), regozijem juntos (Rom. 12:15), levem os fardos uns dos outros (Gál. 6:2), restaure um ao outro (Gal. 6:1), ore um pelo outro (Rom. 15:30), encoraje um ao outro (Rom. 1:12), perdoe um ao outro (Efé. 4:32), confesse um para o outro (Tia. 5:16), seja verdadeiro para com o outro (Efé. 4:25), estimulemos um ao outro para boas ações (Heb. 10:24), e colabore um com o outro (Filip. 4:14–15)”. [6]
Hayes enfatiza a comunidade de crentes da igreja local.
Um dos conceitos imprescindíveis da igreja é o contido na doutrina da comunhão dos santos. O Credo dos Apóstolos incluiu este instituto como plataforma de fé. Anteriormente apresentamos a comunhão à luz das marcas da verdadeira igreja. A realidade de um vínculo comum em Cristo entre cristãos, apesar da raça, gênero ou classe deveria se uma marca obvia da igreja. Mas a koinonia, essencial para o Corpo de Cristo, é mais do que uma questão de ligação. Importa em responsabilidade e accountability [7]. A comunhão dos santos deveria revelar de modo corporativo nossa unidade em Cristo e nossa accountability perante a Palavra e os outros crentes. “Porque nenhum de nós vive para si, escreveu Paulo, “e nenhum de nós morre para si”. (Rom. 14:7). [8]
As atividades da igreja, portanto, são as centradas nos crentes, e o evangelismo ocorre quando os crentes fazem contato com os descrentes fora da igreja. Nesse sentido, MacArthur coloca em dúvida a justificativa bíblica da filosofia chamada saída para a “o melhor serviço para o cliente” [9]. “Não há apoio na Escritura para semanalmente adaptar os cultos à preferência dos descrentes. Realmente, a prática demonstra isso estar contrário ao espírito das Escrituras, tomadas como um todo, que diz acerca da assembléia de crentes. Quando a igreja se reúne no Dia do Senhor, não é hora para entreter o perdido, distrair a irmandade, ou de qualquer maneirar satisfazer as ‘necessidades sentidas’ dos presentes. E quando devemos nos curvar na presença de nosso Deus como congregação de seu povo, e honrá-lo com a nossa adoração”. [10]
Segundo o padrão bíblico, edificar os crentes precede o alcançar o perdido ou qualquer outra valiosa paixão. Os crentes devem primeiro desenvolver um espírito de unidade, mutualidade e generosidade. O que pode ser mais ineficaz para o efeito de cumprimento da Grande Comissão do que as pessoas não-salvas de uma igreja a verem caracterizada por reclamações, amarguras, críticas e hipocrisia?


IGREJAS SAUDÁVEIS ESTÃO EMBASADAS MAIS EM FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS DO QUE SOCIOLÓGICOS


Muitos líderes cristãos incorporam as sugestões do pragmatismo sociológico (conforme sugerido acima), ignorando a verdadeira dinâmica da teologia bíblica, e inclusive falhando em avaliar os elementos culturais e sociológicos pelo diapasão da Escritura. Os Guinness levanta exatamente esse em sua crítica ao movimento de crescimento da igreja. “Por um lado, sua compreensão teológica é freqüentemente superficial, com quase nenhum elemento de crítica bíblica. Como um proponente famoso declara, ‘eu não lido com teologia, eu sou simplesmente um metodologista' – como se a sua teologia servisse para o manter critico e a sua metodologia fosse neutra. Mas de fato, a teologia raramente é mais do que marginal no movimento de crescimento de igreja, bem como a discussão das marcas tradicionais da igreja é virtualmente inexistente. Ao invés disso, a metodologia ou a técnica, está no centro e no controle. O resultado é uma metodologia sozinha de vez em quando em busca de uma teologia”. [11]

A maioria dos estudiosos do Novo Testamento concorda que Efésios identifica metas bíblicas para a igreja e descreve como essas podem ser alcançadas. Naquela carta Paulo não lidou com erro ou heresia mas buscou expandir os horizontes espirituais dos crentes. Onde em Efésios Paulo discutiu programas e estatísticas? Onde naquela carta ele abordou crescimento ou estagnação ? O que disse a respeito de edifícios e gestão de fundos — ambas supostas marcas de uma “igreja saudável” em décadas recentes?
É claro que o apóstolo nunca discutiu estes assuntos. Ao invés ele descreveu pessoas humildes fazendo progresso espiritual com Deus e um com o outro. Ele ofereceu uma fórmula que pôde mudar uma igreja de qualquer tamanho da doença espiritual para a saúde em termos de semanas, dizendo para eles viverem a vida cristã “com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos.” (Efésios 4:2–6).
Alguém pode responder, “que esse ideal pode ter marcado as igrejas do Novo Testamento. Mas depois de dois mil anos de guerra espiritual, os inimigos da alma parecem ter de forma mais sombria se armado contra o povo de Deus.” Pode até parecer isso, mas o secularismo moderno dispõe de ameaça à verdade bíblica equiparável ao paganismo romano; de fato as semelhanças são impressionantes.
Em relação à guerra espiritual, os líderes da igreja devem prestar redobrada atenção para o que a Bíblia diz a fim de que outra da moda religiosa não desvia o seu sentido para longe da centralidade na verdade de Deus. Armstrong faz uma pergunta crucial: “Onde somos autorizados a lidar com o reino de Satanás da mesma maneira que o nosso Senhor lidou com o assalto frontal direto a Sua pessoa e a Sua mensagem vista nos Evangelhos?” [12] Armstrong responde à sua própria pergunta: “O modo bíblico de lidar com o diabo nesta época é mais simplesmente declarada: Temos que ‘nos revestirmos de toda a armadura de Deus;' (Efé. 6:11). Não fazemos isso por nossa própria força, mas ‘no Senhor’. O retrato perfeito aqui é que vamos batalhar contra um oponente que está do lado de fora nós. Como disse Jesus, ‘as postas do inferno não devem prevalecer.’ Portas significa uma postura defensiva. A igreja está em marcha pela Palavra e oração que luta contra o Diabo. Nós o combatemos ‘permanecendo firmes’. Só o fazemos com a verdade.” [13]
Não pretendo fazer nenhuma crítica geral a todo interesse ou formas de crescimento da igreja. Afinal, dois desses livros fortaleceram meu próprio ministério: Body Life, de Ray Stedman (Grand Rapids: Discovery House, 1995), e Sharpening the Focus of the Church, de Gene Getz (Wheaton, IL: Victor, 1984). Quando livros de crescimento de igreja estão fundamentados em teologia bíblica, eles servem para o bem. Mas quando abandonam essa base, falham miseravelmente. Schwarz discute oito qualidades de uma igreja de crescimento saudável: liderança autorizada, ministério direcionado aos dons, ardente espiritualidade, estruturas funcionais, cultos que inspira adoração, grupos pequenos integrais, direcionamento às necessidades de evangelismo e relações amoráveis. [14]
Para estes oito fatores essenciais Getz e Wall oferecem outros quatro adicionais: pregação e ensino bíblicos, líderes visionários e espirituais, unidade, e liderança. [15] Getz e Wall discutem a medida de crescimento de igreja, assimilação dos recém-chegados, encorajamento da participação do membro, e numerosos outros assuntos técnicos. Mas eles enfatizam a singularidade de cada congregação em seus esforços para se tornar em tudo aquilo que Deus quer que ela seja. “Conseqüentemente, os princípios que se extraem deste estudo nunca podem tomar o lugar da busca humilde da face do Senhor e a resposta obediente com fé corajosa à liderança de Deus em relação à Sua própria igreja. Os pastores sábios evitam comparar suas igrejas com outras igrejas, e evitam imitar outras igrejas. Cientes das qualidades bíblicas de uma igreja saudável, pastores sábios lideram seu rebanho do modo que eles crêem que o Sumo Pastor esteja guiando os seus rebanhos”. [16]
A questão central de qualquer ministério é, por que Deus ergueu este trabalho, neste lugar, neste momento, e o que Ele quer fazer, para e por nós?

IGREJAS SAUDÁVEIS SE FOCALIZAM MAIS NUM MODELO DE MINISTÉRIO DO QUE DE MARKETING.


Na Revista norte-americana U.S. News & World Report, John Lelo se reporta a uma publicação de 1983, intitulada “I, Rigoberta Menchú”, que se tornou um texto intercultural em muitas áreas. Ganhou o Prêmio Nobel em 1992 como uma obra de não-ficção. Mais recentemente, pesquisa do antropólogo David Stowell descobriu que porções enormes do livro eram aparentemente falsas. Em uma surpreendente reação adversa, os professores universitários defenderam o livro e seu autor e atacaram a pesquisa que estabelece a falsidade do livro.

Stowell aborda o assunto de uma perspectiva complacente, concedendo a Menchú o benefício da dúvida em todos os pontos. Apesar disso, assim ele coloca a questão, “Quando comecei o relato de meus descobrimentos, alguns de meus colegas os consideraram muito sacrílegos”. [17] Em outras palavras no moderno mundo acadêmico, a teologia da libertação representa o centro da realidade e ninguém ousa desnudar um ícone político que atacou as culturas de opressão. A verdade nada que se preocupa com a defesa da posição estabelecida é aceitável. Os defensores de Menchú respondem que a sua escrita não é uma ato de desonestidade, mas é narrativa meramente geral. Aqui é resposta de Lelo: “Por que não é desonestidade? Porque nossa cultura universitária põe mais ênfase na verbalização, narrativa, e descrição do que na verdade. Um número crescente de professores aceita a noção pós-moderna que não existe tal coisa como verdade, só existe retórica. O resultado é o obscurecimento da distinção entre história e literatura, fato e ficção, honestidade e desonestidade. Um professor horrorizado escreveu em uma mensagem de Internet que ‘A controvérsia de Menchú, como a controvérsia Clinton, revela a profundidade da indiferença acadêmica para com a verdade na era pós-moderna’”. [18]

Essa é uma ilustração dramática de uma epistemologia cultural dirigida ao modelo mercadológico, relativo ao marketing. Um dos perigos da prosperidade é a ênfase constante e obstinada na venda de idéias seja de que forma ou meio que for. Apesar disso, os evangélicos e suas instituições precisam prover de um oásis no deserto estéril para esse tipo pensamento mortal. Devem testar tudo que o for dito e escrito pelo padrão absoluto da verdade de Deus. Como Kaiser escreveu certa feita, “Os evangélicos afirmam que a Bíblia é a Palavra de Deus e por isso completamente verdadeira e fidedigna. É a autoridade pela qual os evangélicos formam seu pensamento sobre que é verdade sobre Deus e o mundo e pelo qual se são guiadas suas vidas e práticas”. [19]
Igrejas saudáveis rejeitam a mentalidade mercadológica em sua busca pela eficácia. Enfatizam o funcionamento em graça e poder do Deus em um nível de excelência de acordo com os recursos que Ele proveu. Porém, as pessoas de cultura dos dias de hoje que afirmam possuírem e viverem pela verdade absoluta são as se colocam diretamente no trilha do desprezo e da infâmia. Uma cultura induzida pela paixão em relação à economia dificilmente respeitará a excelência no ministério.
Uma igreja saudável mantém um modelo bíblico de eficácia com vistas a executar a sua missão em lugar de um modelo de sucesso mundano medido pelos colegas de campo evangélico. Os evangélicos foram chamados por Deus para ser um movimento de protesto no mundo — não um grupo de negativos resmungões e vítimas, mas um grupo servos batalhadores com um alto compromisso perante o Senhor. “Nossa tarefa é crescer com uma consciência de nossa unidade e vitalidade em Cristo, e mostrar esta força a um mundo que desesperadamente precisa conhecer algo sobre a pessoa que é tanto o Nosso Salvador quanto Nosso Senhor”. [20]

IGREJAS SAUDÁVEIS ADOTAM MAIS MODELOS DE LIDERANÇA BÍBLICOS DO QUE SECULARES.


A deficiência no meio de cristãos contemporâneos em captar o claro, distintivo modelo de liderança-serva do Novo Testamento parece que disseminado e evidente. Como o quadro se tornou tão distorcido? Muitos pastores, presidentes, e dirigentes de campos têm comprado um modelo autocrático de liderança que contempla justamente o padrão antigo em termos de teologia, um estilo político, antiquado até perante a literatura secular atual. O fato que ele às vezes não conseguem podem superar a realidade da incontestável oposição ao Novo Testamento. Há pessoas que são mais prejudicadas, machucadas, nas igrejas pelos estilos de liderança opressiva do que por salários inadequados e ou edifícios caindo aos pedaços.

A melodia da liderança compartilhada ecoa praticamente em toda a literatura secular contemporânea acerca de liderança. “Os padrões tradicionais de liderança podem ter sido aceitos no passado podem não ser bem sucedidos no futuro. O líder da comunidade do futuro estará diante de maiores desafios para reter membros. O sucesso do líder na adaptação ao novo mundo da comunidade da livre escolha será o gigantesco fator para a determinação do sucesso e da prosperidade em longo prazo da comunidade”. [21]
Os líderes de igrejas saudáveis reconhecem que nenhuma soma de técnica com estratégia, nenhuma cópia do modelo mercadológico vigente, pode conduzir suas congregações pelos charcos de atmosfera carregada de gases venenosos de imoralidade por onde atravessam com seus barcos espirituais. Indistintamente, Paulo, Pedro, Tiago e João, concluíram face as suas experiências de vida e ministério pela advertência quanto a deterioração da sociedade. A cultura ocidental tem produzido uma educação de filhos permissiva, igrejas teologicamente rasas e padrões morais determinados por vantagens e lucros. A maturidade espiritual por parte de muitos líderes de igreja e por parte muito maior de congregados não pode ser presumida.
Na legítima intenção de vincular a saúde com a qualidade antes que com a quantidade, há líderes da igreja que não deixa de prestar atenção para aquilo que é essencial ao exercício do ministério; inclusive declaração de missão, visão e definição de papéis; realização de metas; planejamento estratégico e concessão de poderes a outros. Mas eles se medem por um padrão diferente.
Às vezes a realização pode ser quantificável, como o número de visitas que um pastor poderia fazer em um determinado mês, ou a expansão dos dias dedicados ao aconselhamento de dois para cinco. Freqüentemente, porém, olhamos a mudança de vida como a avaliação do alcance das metas ministeriais. Uma congregação que pareça egocêntrica e preocupada com seus próprios programas e obras pode, pode ser vista como uma meta de longo prazo alcançada por um pastor depois que essas mesmas pessoas aprenderem trabalhar como uma comunidade interdependente que mostre a preocupação com outras pessoas. Um diretor de campo de missionário que leva pessoas altamente qualificadas em suas especialidades, mas ineficazes como uma equipe de ministério poderia louvar Deus por ajudarem-nas a desenvolverem unidade e um espírito genuinamente cooperativo que produz resultados para a equipe. [22]
O pensamento atual diz que a saúde de uma igreja não acontece sem a abordagem contemporânea e desconstrucionista de ministério. Porém, as igrejas nunca se tornarão espiritualmente saudáveis meramente por meio de paradigmas ou programas. Os compromissos bíblicos, de cada congregado, cada líder, cada oficial de igreja, devem ser com as prioridades e alvos de Deus, e de permitir que Ele produza nessas igrejas o que Ele quer — e não o que Ele na quiser.
Longe de desprezar o cumprimento da Grande Comissão, esta abordagem, uma vez que é obviamente mais bíblica, realça a missão dos crentes de conhecer Jesus Cristo, exaltá-LO e levá-LO aos outros, e edifica-os na fé. Deus quer realizar estas metas pela Sua igreja e pelo Seu poder. As igrejas precisam estar certas de que os métodos, movimentos e manipulações do cristianismo cultural moderno não conseguem fazê-lo do modo certo.

* Kenneth O. Gangel é estudioso autodidata, ligado ao Toccoa Falls College, Toccoa Falls, Georgia, e Distinguido Professor Emérito de Educação Cristã no Dallas Theological Seminary, Dallas, Texas.



NOTAS:
[1] - Ron Klassen e John Koessler, No Little Place (Grand Rapids: Baker, 1996), 24 (itálicos dos autores).
[2] Kenneth O. Gangel, “Reexamining Biblical Worship” em Vital Ministry Issues, ed. Roy B. Zuck (Grand Rapids: Kregel, 1994), 171.
[3] Howard A. Snyder, Liberaying the Church (Downers Grove, IL: Inter-Varsity, 1983), 170–71.
[4] Isto é, cultos “perfomáticos”, animados como num clube de diversão, com prejuízo da reverência. N.do T.
[5] John F. MacArthur Jr., “How Shall We Then Worship?” em The Coming Evangelical Crisis, ed. David Wells (Chicago: Moody, 1996), 181.
[6] Raymond C. Ortlund, “Priorities for the Local Church,” in Vital Ministry Issues, 91
[7] Palavra sem correspondente em português. Traduzível por obrigação de prestar contas. No sentido empregado aqui evoca a idéia de que “impor accountability significa de modo muito simples “controlar” N.do T.
[8] Ed Hayes, The Church, Swindoll Leadership Library (Nashville: Word, 1999), 124.
[9] Literalmente, “seeker-service”. (N.do T.)
[10] MacArthur, “How Shall We Then Worship?” 185.
[11] Os Guinness, “Sounding Out the Idols of Church Growth,” in No God but God, ed. Os Guinness and John Seel (Chicago: Moody, 1992), 155.
[12] John H. Armstrong, “How Shall We Wage Our Warfare?” in The Coming Evangelical Crisis, 236.
[13] Ibid., 237.
[14] Gene Getz and Joe Wall, Effective Church Growth Strategies, Swindoll Leadership Library (Nashville: Word, 2000), 96–107.
[15] Ibid., 107–10.
[16] Ibid., 118 (itálico deles).
[17] David Stowell, quoted in John Lelo, “Nobel Prize for Fiction?” U.S. News & World Report, January 25, 1999, 17.
[18] Ibid.
[19] Walter C. Kaiser Jr., “What’s So Important about Inerrancy?Evangelical Beacon, October 1, 1990, 6.
[20] Darrell Bock, Alister McGrath, Richard Mouw, e Mark Noll, “Scandal? A Forum on the Evangelical Mind,” Christianity Today, August 14, 1995, 75.
[21] Marshall Goldsmith, “Global Communications and Communities of Choice,” em The Community of the Future, ed. Frances Hesselbein et al. (San Francisco: Jossey-Bass, 1998), 114.
[22] Kenn Gangel, Coaching Ministry Teams, Swindoll Leadership Library (Nashville: Word, 2000), 74.

Fonte: BIBLIOTHECA SACRA 158 (Outubro-Dezembro 2001): 467–77
Tradução: Pb. Anamim Lopes da Silva.
Brasília-DF.

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