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quarta-feira, 18 de março de 2015

JESUS HOMEM E JESUS DEUS

A Distinção e a Unidade 

das Duas Naturezas de Cristo


Paralelamente à plena divindade e humanidade de Jesus, a terceira e a quarta afirmações necessárias da cristologia bíblica são que na encarnação, as naturezas divina e humana permanecem distintas, e as naturezas são completamente unidas em uma pessoa. A melhor evidência dessas duas realidades são as passagens da Escritura nas quais a glória divina e a humildade humana de Jesus são apresentadas conjuntamente:
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9.6).
“é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2.11).
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a suaglória, glória como do unigênito do Pai” (João 1.14).

“com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor” (Romanos 1.3-4).
“sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória” (1Coríntios 2.8).
“vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gálatas 4.4-5).
Esses versículos apresentam o profundo mistério do eterno e infinito Filho de Deus adentrando no tempo e no espaço e assumindo a natureza humana. Não existe pensamento mais grandioso no qual possamos ponderar do que esse.
Implicações das Duas Naturezas de Cristo
A crença de que Jesus é uma pessoa com duas naturezas, humana e divina, tem um grande significado para a possibilidade de pessoas caídas entrarem em um relacionamento com Deus. Cristo deve ser ao mesmo tempo Deus e homem para que possa ser o mediador entre Deus e o homem, fazer expiação pelo pecado, e ser um Sumo Sacerdote empático:
“porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Colossenses 1.19-20).
“Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Timóteo 2.5).
“Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo” (Hebreus 2.17).
Em sua obra seminal Por Que Deus Se Tornou Homem, Anselmo da Cantuária (1033 – 1109 d.C.) sintetizou a importância das duas naturezas de Cristo para a sua obra expiatória ao dizer: “É necessário que a mesma e a própria Pessoa que há de realizar essa satisfação [pelos pecados da humanidade] seja perfeito Deus e perfeito homem, uma vez que Ele não pode fazê-lo a menos que seja de fato Deus, e a Ele não convém fazê-lo a menos que seja de fato homem” (Livro II, cap. 7).
Erros Históricos Acerca da Unidade das Naturezas de Cristo
Há seis heresias históricas relacionadas à pessoa de Cristo listadas na tabela abaixo. As primeiras quatro heresias estão descritas acima. O nestorianismo enfatizava a distinção entre as naturezas de Cristo de tal modo que fazia parecer que Cristo era duas pessoas em um corpo. O eutiquianismo enfatizava a unidade das naturezas ao ponto em que todas as distinções entre elas se perdiam, e Cristo era visto como alguma entidade nova, com uma única natureza, maior do que meramente homem, sendo plenamente Deus em uma novo modo.
Em 451 d.C., líderes da igreja se reuniram na Calcedônia (fora da antiga Constantinopla) e escreveram um credo afirmando tanto a plena humanidade como a plena divindade de Jesus, com as suas duas naturezas unidas em uma pessoa. Esse credo, formulado na Calcedônia, tornou-se a afirmação fundamental da igreja acerca de Cristo. O Credo Calcedônico é lido como segue:
“Nós, portanto, seguindo os santos pais, todos perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e o mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, perfeito quanto à humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, possuindo alma racional e corpo; consubstancial com o Pai, segundo a divindade, e consubstancial conosco, segundo a humanidade; em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado; gerado antes de todos os séculos pelo Pai segundo a divindade, e, nestes últimos dias, por nós e por nossa salvação, nascido da Virgem Maria, Mãe de Deus, segundo a humanidade; um só e o mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar em duas naturezas, inconfundíveis, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis e indivisíveis; a distinção da naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só Pessoa e Subsistência; não dividido ou separado em duas pessoas. Mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus o Verbo, Jesus Cristo o Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam, e o mesmo Jesus Cristo nos ensinou e o credo dos padres nos transmitiu.”
Implicações da Cristologia Calcedônica
O Credo Calcedônico ensina a igreja como falar acerca das duas naturezas de Cristo sem cair em erro. Em particular, ele ensina a igreja a afirmar que:
1. Uma natureza de Cristo às vezes é vista fazendo coisas das quais a outra natureza não compartilha.
2. Qualquer coisa que uma das naturezas fizer, a pessoa de Cristo a faz. Ele, o Deus encarnado, é o agente ativo em todo o tempo.
3. A encarnação significa que Cristo adquire atributos humanos, não que ele abriu mão dos atributos divinos. Ele se despiu da glória da vida divina (2Coríntios 8.9; Filipenses 2.6), mas não a possessão dos poderes divinos.
4. Nós devemos olhar primeiro para os relatos do ministério de Jesus nos Evangelhos, a fim de vermos a encarnação em atividade, ao invés de seguirmos especulações moldadas por assunções humanas errôneas.
5. A iniciativa para a encarnação veio de Deus, e não do homem.
Embora esse credo não resolva todas as questões acerca do mistério da encarnação, ele tem sido aceito por católicos romanos, ortodoxos e pelas igrejas protestantes ao longo da história, e nunca necessitou de qualquer alteração significativa porque ele eficazmente articula a tensão bíblica entre as duas naturezas de Cristo, completamente unidas em uma pessoa.

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